**Um ‘reboot’ ou uma continuação da franquia? Não importa, o filme é fraco e desinteressante.**
Este filme é a segunda película da franquia *Sortilégio*, iniciada em 1989 e em que a personagem principal é um maléfico feiticeiro decidido a espalhar o mal pelo mundo. Infelizmente, este filme só aproveita o título, não tendo nenhuma conexão clara com os filmes que o precederam. Para mim, funcionou mais como uma tentativa fracassada de “reboot”, esquecendo tudo o que está para trás a fim de criar uma história completamente nova.
Neste filme, acompanhamos Kris, uma jovem adoptada que não conhece qualquer parente de sangue. Ela é contactada por um historiador a fim de visitar uma antiga casa de família que vai ser demolida. Vendo uma oportunidade para saber mais sobre as suas origens, ela aceita. No entanto, a casa esconde um segredo: no seu interior, aprisionado há séculos e aguardando a sua libertação, está um feiticeiro maléfico que anseia por se vingar da família dela.
Se o primeiro filme da franquia foi satisfatório e o segundo foi uma pálida imagem do primeiro, este é largamente prejudicado por ser tão diferente dos dois filmes anteriores. Para tornar tudo ainda mais exasperante, não tem um roteiro capaz de justificar a longa-metragem, arrastando-se tediosamente ao longo de muito tempo. Ao longo do filme, assistimos ainda a várias cenas de sexo e de sadomasoquismo que só servem para podermos ver os seios de algumas das actrizes, não acrescentando nada de valor ou de importante para a trama. Sexo vende e chama a atenção, principalmente num filme onde as personagens passam tanto tempo sem fazer nada!
O elenco é composto, na larga maioria, por nomes desconhecidos, tirados do fundo das salas de aulas de teatro e expressão dramática, creio eu. Nenhum deles se destaca ou sobressai, pelo que não merecem uma menção individual, mas tão-somente a referência colectiva ao trabalho sofrível por eles executado. No entanto, não tenho dúvidas de que o péssimo material que lhes foi dado pelo argumentista também não lhes deu margem para algo melhor. Ressalvam-se, aqui, duas menções honrosas: a primeira e mais relevante vai para o protagonista, Bruce Payne, que sucedeu a Julian Sands no papel. Ele foi minimamente capaz e consegue evitar parecer vaidoso ou artificial. Menos interessante, mas favorecida pelo seu papel na trama, Ashley Laurence não nos desiludiu.
Tecnicamente, o filme é bastante fraco e denuncia permanentemente o fraco orçamento e um certo amadorismo latente. Começando pela cinematografia cansativa e desinteressante, o filme conta com péssimos cenários e figurinos insossos. A casa do filme, em particular, parece ser tão estranha e tão fora do normal que é realmente impossível dar-lhe credibilidade. Parece aquilo que é: um cenário. Os efeitos especiais e visuais utilizados são outro problema: como não há orçamento para algo melhor, eles são particularmente maus e desagradáveis de ver. A título de exemplo, eu destacaria a cena onde uma das personagens é transformada numa estátua de vidro e quebrada em pedaços… é tudo tão falso quanto poderia ser.