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ACERVO · Filme · 1963

O Leopardo

Il gattopardo

Durante a caótica unificação italiana na Sicília, o príncipe Don Fabrizio começa a simpatizar com as ideias socialistas, embora não goste da ideia de perder seu prestígio e privilégios.

Fonte: TMDB
* 7.7 (954)DramaFrança · Itália
Trilha sonora
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Diretores
Luchino Visconti
Paises
França · Itália
Estudios
Titanus · Société Générale de Cinématographie (S.G.C.) · Société Nouvelle Pathé Cinéma
Duração
186 min
Classificação etária
14 anos
Lancamento
27/03/1963
Pontuacao
7.7 / 10 (954)
Onde assistir
Streaming
LookeLookeLooke Amazon ChannelLooke Amazon Channel
Com anuncios
NetMoviesNetMovies
Elenco
Burt Lancaster
Burt Lancaster
Prince Fabrizio Corbera of Salina
Claudia Cardinale
Claudia Cardinale
Angelica Sedara / Bastiana
Alain Delon
Alain Delon
Tancredi Falconeri
Paolo Stoppa
Paolo Stoppa
Don Calogero Sedara
Rina Morelli
Rina Morelli
Princess Maria Stella Corbera of Salina
Romolo Valli
Romolo Valli
Father Pirrone
Terence Hill
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Count Cavriaghi
Pierre Clémenti
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Francesco Paolo
Lucilla Morlacchi
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Concetta Corbera
Giuliano Gemma
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Garibaldi's General
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Resenhas de usuarios
Filipe Manuel Neto
★ 9.0 / 10
**Uma reflexão sobre as mudanças sociopolíticas e a passagem das gerações num filme que é tão bom quanto uma ida a uma ópera italiana.** Este é um daqueles filmes que me diz muito, na medida em que por vezes me revejo muito na personagem principal. Ambientado, aproximadamente, entre 1859 e 1862, o filme dá-nos uma visão intimista e pessoal da unificação italiana, vista a partir da perspectiva de um aristocrata siciliano que sente estar a ver o mundo em que nasceu desaparecer muito rapidamente. O maior problema dele não é o desaparecimento do seu país, o Reino das Duas Sicílias, mas a ascensão rápida da burguesia capitalista, que tinha forte ascendente junto do rei piemontês Vitório Emanuel I, e as ameaças que esta nova sociedade poderia trazer para as pessoas da sua classe social, cada vez mais decadente e empobrecida. Sendo, também eu, um aristocrata (embora não da Itália), também eu me sinto por vezes perdido no mundo que nos rodeia, onde a fascinação pela tecnologia, pelas possibilidades do futuro, parece fazer esquecer a importância de manter vivas a memória histórica, as tradições e as marcas próprias da identidade dos povos e das nações, valores que são caros ao verdadeiro aristocrata, por mais moderna e ordinária que seja a sua vida particular. No presente, a generalidade dos aristocratas europeus perdeu as terras de família e as fortunas dos seus bisavós, vivendo anonimamente do rendimento do seu trabalho e reservando ao seio familiar as memórias e a herança cultural que carregam. Há notórias excepções, como nos países onde ainda há monarquias reinantes, mas apesar de tudo sinto, também eu, um certo desgosto em ver a maneira como o mundo actual despreza os valores e as memórias de sempre, vendendo-se ao deslumbre do imediatismo, da practicidade e das tão ilusórias noções de liberdade e de igualdade. “Tudo tem de mudar para que tudo permaneça como está”. A frase dita por Tancredi ao seu tio é a chave para compreender a maneira como este se comportará ao longo de todo o filme. Consciente de que pertence ao “passado” e o seu papel no novo mundo democrata e moderno é questionável, Fabrizio prefere promover a posição do sobrinho, que depressa ascende pela sociedade do novo reino italiano, contraindo noivado com a filha e herdeira de um riquíssimo e ambiciosíssimo comerciante, de origens humildes. Curiosamente, até se preocupa mais com isso do que em assegurar a situação dos seus sete filhos, posto que é garantido que a sua vasta fortuna e propriedades serão divididas igualmente, garantindo o futuro de cada um deles, mas sem lhes dar papel relevante no mundo novo que chega. É um mundo que, no entanto, não ignora nem esquece a importância dos velhos senhores: Fabrizio é alvo de grandes cortesias e actos de respeito, é convidado para cargos de relevo e até alvo de um avanço amoroso da jovem ambiciosa que destinou ao sobrinho, mas tudo é recusado educadamente por um homem ciente da sua finitude e da passagem do tempo. Como tudo acaba? É melhor verem o filme. Luchino Visconti, ele mesmo um aristocrata de sangue, era a pessoa mais indicada para compreender perfeitamente o texto de Giuseppe Tomasi, príncipe de Lampedusa. Como habitual nas obras do cineasta, oferece-nos uma cinematografia vívida e fascinante, e uma grande sensação de teatralidade e dramatismo operático. Ver este filme é quase como ir a uma ópera de Verdi, encenada com todos os requintes. Os cenários, figurinos e adereços são historicamente precisos e transportam-nos imediatamente para a época em que tudo se passa. E apesar de ser um filme bastante longo (a versão do director tem cerca de três horas e a versão lançada na época para os cinemas era ainda maior), não sentimos passar o tempo, não nos sentimos aborrecidos, cada minuto é necessário para a reflexão que nos querem transmitir. Burt Lancaster oferece-nos aqui um dos seus primeiros papeis de maturidade. O actor, que passou por várias eras do cinema do século XX, garantiu à sua personagem toda a profundidade emocional e psicológica do homem maduro, que vê o seu tempo terminar e sente a necessidade de passar o testemunho para as novas gerações. Alain Delon, que também dispensa apresentações, é ideal como galã romântico, idealista e ambicioso, e deixa-nos um dos melhores papeis da sua longa e frutuosa carreira. Apesar da sua beleza voluptuosa e profundamente carnal, a bela Claudia Cardinale tem pouco espaço para usar da sua beleza física num papel que lhe exige mais personalidade e impetuosidade, o que ela de facto tem de sobra! De entre o elenco vale ainda a pena destacar os contributos de Paolo Stoppa, Romolo Valli e Rina Morelli, que nos oferecem interpretações credíveis e cheias de empenho e qualidade.
TMDB
Palavras-chave
plancivil warsicily, italypraisepastorarranged marriagemonarchycountry estatepower takeoverpolitical instability
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