**É um filme mediano, tendo em conta que foi pensado para TV e DVD.**
*Tales from the Crypt* foi um produto que teve muito sucesso na rádio e como série televisiva, mas que nunca encontrou a fórmula do sucesso no cinema. Os dois primeiros lançamentos, ainda na década de 70, mantiveram-se fiéis ao produto original, com uma sucessão de histórias curtas, umas melhores que outras. O terceiro filme foi bastante mais audacioso: *Demónios da Noite* tentou realmente dar-nos uma longa-metragem, e até certo ponto conseguiu responder bem a esse desafio. Depois, tudo veio abaixo com *Bordel de Sangue*, que foi um verdadeiro fiasco e deitou por terra as ambições dos produtores. Talvez por isso é que este filme nunca se assumiu como parte da franquia, e só nas versões para suporte físico é que observamos a abertura, com uma versão rígida, barata e deselegante do "Cryptkeeper" a introduzir o filme.
Convenhamos, este não está dentro dos parâmetros do que nós poderíamos considerar um bom filme para o cinema. Mesmo assim, satisfaz-nos verificar que a produção aprendeu alguma coisa com os erros passados e que o filme aposta numa história sólida, numa narrativa consistente e relativamente bem estruturada. Não é um bom filme, mas é melhor que os predecessores e, sinceramente, consegue ser um filme mediano, dentro do padrão de qualidade dos filmes feitos para televisão e DVD.
O roteiro começa com a cassação da licença médica de Alice Dodgson, após um erro médico em que ela teve culpa. A fim de se manter durante o período de suspensão, ela aceita um emprego como cuidadora particular na Jamaica, para cuidar de Wesley Claybourne, que tem encefalite, mas acredita estar a ser alvo de magia vodu. Ao mesmo tempo, ela torna-se amiga de Caro, uma jovem jamaicana atraente, sexualmente intensa, e começa a descobrir que os delírios de Wesley podem, afinal, ter alguma razão de ser.
O filme conta com um elenco bastante sólido e com alguns nomes conhecidos, mas o material dado aos actores era relativamente fraco, várias personagens foram sexualizadas ao máximo e o director Avi Nesher revelou-se incapaz de orientar os actores e obter resultados. Jennifer Grey, a protagonista, não é uma actriz inexperiente, mas já a vimos fazer melhor em *Dança Comigo* ou *O Rei dos Gazeteiros*. O material recebido prejudicou-a, além de que a personagem foi bastante sexualizada, aproveitando os atributos físicos da actriz. Daniel Lapaine fez um trabalho mediano, empenhado, mas histriónico e carente de direcção. Tim Curry foi subaproveitado e só aparece de vez em quando. Craig Sheffer dá um apoio possível, mas não é um bom vilão. Por fim, Kristen Wilson parece ter sido escolhida só com base no seu corpo, esbelto e modelado, e quase inteiramente visível no filme, onde ela aparece nua por várias vezes.
Tecnicamente, o filme é bastante mais modesto e pobre do que poderíamos esperar, constatando o rol de actores presentes no elenco. Pensado e produzido como um filme para a TV e DVD, falta aqui uma noção cinemática, e orçamento e equipa para a realizar e levar adiante. Sem equipa e dinheiro para fazer um filme com dimensão cinematográfica, as opções da produção limitaram-se em pontos como o ‘design’ de figurinos, efeitos visuais e especiais, recursos digitais e a escolha de locais de filmagem. Por isso as cenas de vodu são tão poucas e concentradas. O que temos de bom aqui? Temos uma boa construção de cenários (um bom laboratório médico, os adereços de magia, com cruzes e ervas e objectos estranhos misturados com velas etc.), temos também uma cinematografia satisfatória para um filme de TV e, por fim, uma banda sonora eficaz.