**Um bom filme policial que coloca o foco no ambiente e na construção das personagens.**
Este filme, dirigido pelos Irmãos Hughes, conta a história, algo romanceada, de Jack o Estripador, um dos assassinos mais famosos e mais bem sucedidos de sempre, ao ponto de não sabermos ainda quem ele era. De facto, o filme explora precisamente uma das mais controversas e improváveis teorias sobre esse assunto: a de que ele poderia ser uma figura muito próxima do poder e que, por isso, as investigações foram aligeiradas. Não vou dizer mais para não estragar a surpresa a quem não viu.
O filme também nos mostra a miséria e a pobreza em que viviam as classes mais baixas da sociedade, em especial na Londres vitoriana. Nessa época, ser pobre muitas vezes significava viver numa semi-marginalidade que implicava viver nos limites da lei para sobreviver. As agruras da vida eram tais que muitos sucumbiam à doce sedução do álcool ou entorpeciam as dores do dia-a-vida em antros de ópio. A personagem encarnada por Johnny Depp, que é um investigador policial, permite-nos ver esse lado feio da sociedade, pois é a própria personagem que nos leva. Escusado será dizer que o actor se mostrou perfeito para a personagem, dando-lhe uma personalidade cheia de contradições e paradoxos. Aliás, a própria sociedade daquela época era paradoxal, com o filme a dar cor e vida à fria desumanidade da cidade industrial.
Este filme é recomendável para todos os que gostam de um bom filme policial, mas com uma despesa mínima de balas, sem cenas de verdadeira acção e quase sem derramamento de sangue. De facto, toda a tensão do filme vive da forma como o ambiente e criado em torno dos acontecimentos. E isso é uma jogada pouco usual neste tipo de filmes.