**Uma boa série de ENTRETENIMENTO convincente pela forma respeitadora como se apresenta.**
A temática sobrenatural sempre foi fascinante para mim, mas infelizmente não é um tema bem tratado pela maioria do material televisivo, que insiste em criar séries imaginativas com “investigadores” que soam da mesma forma que o Indiana Jones quando nos diz que é arqueólogo: completos cowboys, farsantes que procuram emoções fortes e não nutrem qualquer respeito pela temática ou pelo que ela significa. A maioria deles não entende (ou não quer entender) que se existem fantasmas eles são, em primeiro lugar, pessoas, e todas as pessoas devem ser respeitadas. Esta série, pelo menos, dá-nos uma personalidade mais respeitadora para com os fenómenos que, alegadamente, apresenta.
Claro, tudo isto não é mais do que teatro: a prova mais evidente disso é a clara convicção dos investigadores de que há um fantasma presente e que, quando nada acontece, é porque ele simplesmente se recusa a colaborar com eles! Isso é simplesmente risível, fantasmas birrentos! Que malvados que eles são! Eles nunca colocam a hipótese de, simplesmente, não haver assombração nenhuma, o que aconteceria em 95% dos casos numa investigação séria. De facto, já conheci numerosos investigadores de assombrações (todos amadores, porque isto não é profissão que traga pão para uma mesa) e nenhum deles admite ter tido provas convincentes de assombrações. Sensações, momentos bizarros, coincidências algo estranhas, todos admitem, mas nada mais. Se há fantasmas, eles não querem ser postos à prova, se calhar só querem ser deixados em paz.
Outra coisa que salta aos olhos é o facto de, em todas aquelas gravações de EVP, apenas ouvirmos palavras soltas, de uma ou duas silabas, fáceis de sussurrar baixinho numa pré-produção habilidosa. Claro que ninguém espera por um fantasma que recite monólogos shakespearianos, mas mesmo assim tresanda a falso de tal maneira que não deixa dúvidas quanto ao que esta a ser feito aqui. E preciso de mencionar aquela máquina bizarra que cria homens-palito que acenam entusiasticamente quando lhes é pedido que o façam? Juro que quase vi uma daquelas coisas fazer números de sapateado… devia ser o fantasma do Fred Astaire, pena que ninguém lhe pediu um autógrafo!
Amy Bruni e Adam Berry, que parecem ter dedicado a sua vida à “fantasmalogia”, têm sucesso pela sua abordagem, aparentemente mais séria e claramente mais respeitadora do fenómeno que procuram investigar. Isso agradou-me bastante. Sou uma pessoa que gosta de ser respeitada e de respeitar os outros, e acho muito bem que se respeitem os mortos e os fantasmas que possam, ou não, existir (um dos motivos pelos quais nunca comemoro o Halloween que, de resto, nem faz parte da cultura do meu país e é apenas uma mania que foi importada dos EUA via globalização pela estupidez típica dos portugueses, meus patrícios). Amy e Adam, além da abordagem cortês e respeitadora, permanecem sérios na forma como actuam e conferem alguma autenticidade adicional e ilusória a cada episódio. Muito menos eficazes são os convidados que eles chamam…
Enfim… é uma série agradável, esquecível como todas as outras do seu género, mas feita com mais empenho, mais autenticidade e mais respeito, o que são pontos a seu favor. Não podemos é cair no erro de acreditar no que estamos a ver. A televisão é entretenimento e quer, acima de tudo, iludir-nos e manter-nos a ver o programa.