**Que grande confusão!**
_ALERTA: SPOILERS_
Sim... eu não gosto e nem costumo fazer spoil, mas desta vez é preciso a fim de conseguir explicar as minhas opiniões. Portanto, com licença...
O filme, mostra as tentativas de Jess (Melissa George, já vamos a esta menina) para se manter viva numa situação desesperada: foi passear no mar com uns amigos que tinham um iate, tipo veleiro, mas o navio afundou-se e foram encontrar refúgio num grande navio de cruzeiro, que estava providencialmente abandonado e à deriva por ali perto... mas depois começam todos a ser mortos. Ora bem, vamos ser francos: já me parece coincidência a mais o simples facto de um navio daqueles estar por ali, à mão de semear, quando eles precisavam de ser salvos de morrer. Ainda para mais totalmente vazio. Navios de cruzeiro, como sabemos pelo exemplo do Titanic, não levam propriamente meia dúzia de pessoas. Quando há um problema, mesmo que seja perto de costa, é logo notícia. Veja-se o caso do "Costa Concórdia". Portanto, só aqui neste pedaço do filme, a verosimilhança do roteiro já naufragou. Pumba! Tiro no porta-aviões.
Mas há mais! Eu disse que eles começam a ser mortos, certo? Por quem? Um monstro, uma serpente marinha, um maluco, fantasmas do navio (seria algo do género "Ghost Ship")? Não. Por eles mesmos! Imagine, caro leitor, ver na sua frente uma cópia de si mesmo, com um machado na mão, para o matar. Imaginou? Acha possível? Pois, eu também não, mas é o que acontece neste filme brilhante. Não uma... nem duas... nem três... mas centenas de vezes! E sem qualquer tipo de explicação que nos faça perceber o motivo, ou o que diabos se passa com aquelas pessoas. Isso mesmo... o filme é uma "pescadinha de rabo na boca" ao melhor estilo de um Ouroboros, onde os personagens revivem a mesma situação infinitamente sendo que, no fim, são mortos pelo seu próprio alter-ego, tudo sem que você perceba porquê. Diga lá se não é de ficar com a cabeça a andar a roda?
A ideia de fazer um filme assim nem era má! Mas devia ter sido devidamente contextualizada, deveria ser dada ao público informação do porquê de aquela situação estar a acontecer, e as personagens deviam ter sido pensadas e construídas de modo a criar um elo emocional com as pessoas que vêem o filme. Melissa George, a actriz que faz o papel principal, ainda me pareceu ter feito um esforço para dar à personagem alguma qualidade, mas a pobre actriz não tinha como se salvar e afundou-se com o filme, como o capitão do Titanic. Nenhuma destas coisas foi feita e isso condenou o filme ao fracasso. O público, desanimado e ignorado, chega ao fim sem entender nada, sem uma explicação, sem saber quem é quem ou se os personagens estão vivos, mortos ou existiram. É uma confusão do tamanho de um oceano.
Claro, a inspiração para tanto non-sense é a lenda em torno do Triângulo das Bermudas, como o nome do filme nos indica... mas acho que o filme se perdeu num outro triângulo. O Triângulo da Estupidez. Mas também não é de admirar... foi escrito e dirigido por Christopher Smith, um novato que não tem sequer uma quinzena de filmes no curriculo, sendo que a esmagadora maioria, a avaliar só pelos títulos, é tão boa quanto este. Cometer um erro é humano... insistir num erro é burrice. Talvez seja a hora de recomendar ao senhor Smith uma nova profissão?