**Um filme passável com uma história minimamente intrigante e actores decentes, mas que não ultrapassa a mediania.**
Eu devo confessar que não sabia rigorosamente nada sobre o Cicada 3301 verdadeiro até me resolver a tentar saber mais acerca do filme que tinha acabado de ver – isto é, eu vi o filme antes de saber que se baseava, muito ligeiramente, num acontecimento real. E tudo o que li acerca do acontecimento real é tão enigmático quanto os puzzles lançados para o público: não se sabe rigorosamente nada sobre quem os fez, nem qual o motivo.
O director/argumentista Alan Ritchson, oferece-nos uma história suficientemente boa e intrigante para se aguentar pela maior parte do tempo. O ritmo é bom, a pós-produção e a edição foram bem executadas, mas apesar disso, o filme ainda parece demasiado pesado em alguns momentos: sem grande dificuldade, alguns diálogos desnecessários poderiam perfeitamente ser retirados para nos dar uma versão mais leve e dinâmica. A nível técnico, o filme tem uma boa cinematografia e cenários, alguns efeitos visuais interessantes e bons adereços, mas pouco mais que isso. A história, como eu disse, é boa e intrigante, mas a verdade é que Ritchson se perdeu nos pormenores: além dos diálogos desnecessários, o filme tem piadas tão ridículas que só um adolescente do ensino secundário conseguiria achá-las engraçadas e as personagens comportam-se com uma imaturidade irritante. Nem queria falar do final do filme… mas a verdade é que o final é decepcionante e não nos dá nada tão incrível como prometia dar. Parece que Ritchson não soube como atar as pontas todas da história que ele mesmo concebeu. Há um plot twist decente, mas eu já estava à espera de algo parecido há pelo menos vinte minutos.
O que dizer do elenco? Eu não conheço nenhum dos actores envolvidos, e o filme parece ter sido uma boa oportunidade para a carreira de profissionais que, normalmente, fazem parte do elenco alargado e esquecível das grandes produções e lutam para conseguir vaga em filmes e se destacarem da multidão para onde são relegados. Ron Funches provou ter algum talento cómico e capacidade para representar bem, mas não sei se veremos o actor voar muito mais alto do que isto; Jack Kesy tem algum carisma e consegue sustentar-se como protagonista, mas a personagem dele foi mal construída e o desempenho do actor sofreu muito com isso. Estou convicto que, com um material mais maduro em mãos e um director mais tarimbado, o actor teria ido muito além do que mostrou aqui. Quanto a Conor Leslie, eu realmente não sei bem o que pensar. Por um lado, a actriz cumpriu com os mínimos olímpicos para a tarefa que tinha em mãos; por outro, não me convenceu, não é um talento grandioso que mereça um destaque acima do normal. Acho que o charme e a beleza feminina a ajudam… mas convenhamos, seria sexista se me deixasse convencer apenas por isso, então eu prefiro manter as minhas reservas.
Em suma, é um filme razoável, com indiscutível valor de entretenimento. Não é daqueles filmes que nos faz amaldiçoar a hora em que o compramos e pensar que teríamos gasto o dinheiro muito melhor num restaurante drive-in barato… mas também não é filme que nos dê motivos para mais de uma ou duas visualizações para ocupar tempo ocioso.