"Como Mágica" é uma animação simples, colorida e bastante familiar em sua estrutura, mas encontra força justamente na clareza de sua fábula: ao fazer Ollie e Ivy, duas criaturas de espécies rivais, trocarem de corpos, o filme transforma a empatia em experiência concreta e mostra que preconceitos, medos herdados e rivalidades coletivas só começam a ruir quando alguém é obrigado a enxergar o mundo pela pele (ou pelas asas) do outro. Embora sua mensagem ambiental e social às vezes seja direta demais, quase didática, a história funciona como parábola sobre convivência, escassez, cooperação e superação de ciclos antigos de hostilidade, usando o desequilíbrio do Vale e a ameaça destrutiva do "antagonista" como símbolos de um mundo que adoece quando cada grupo pensa apenas na própria sobrevivência. No fim, a verdadeira "mágica" do filme não está na troca de corpos, mas na mudança de perspectiva: "Como Mágica" talvez não reinvente a animação contemporânea, mas entrega uma lição honesta, acessível e emocionalmente eficaz sobre como inimigos podem se tornar aliados quando descobrem que compartilham os mesmos medos, a mesma casa e a mesma responsabilidade de preservá-la.
Um filme muito bom, e com uma boa reviravolta, é um filme bom pra assistir em família, recomendo.
Dou uma nota 8/10.
Disponível na Netflix.