**Hopkins e Attenborough num trabalho emotivo e cheio de sentimento.**
Quando eu resolvi ver este filme sabia pouco sobre a vida do escritor C. S. Lewis, que só conhecia por ter escrito os livros “As Crónicas de Nárnia”. E confesso que, para compreender totalmente o filme e poder, também, escrever algo acerca dele, tive a curiosidade e interesse de ler alguma coisa acerca dele. Por exemplo, fiquei muito admirado pela sua ligação profunda à universidade e pela sua proximidade com J. R. R. Tolkien, que também é autor de uma grande obra de ficção. Aliás, pensando bem acerca disso, é interessante ver como as obras dos dois escritores têm uma série de pontos de contacto, de subtis semelhanças. Mas isso é uma coisa para outro texto.
O filme debruça-se sobre a vida de Lewis e, especialmente, sobre a sua relação amorosa com a sua esposa norte-americana, Joy Gresham. Lewis era um académico, um filósofo e teólogo que deixou muitos trabalhos acerca desses temas, e que inesperadamente se resolve casar com uma americana recentemente divorciada, numa união que só depois deu espaço ao amor entre eles. O filme foi inspirado numa peça de teatro, que por sua vez foi inspirada nos textos que Lewis fez acerca daquilo que experienciou e sentiu.
O melhor do filme, para mim, é a direcção e a performance do elenco. O director, Sir Richard Attenborough, era conhecido pela atenção aos detalhes, à cinematografia e à escolha dos locais onde filma. Considerado por muitos um dos grandes directores de cinema britânicos, deixa-nos com este filme um trabalho cheio de elegância e beleza, mas que parece estar muito esquecido nos dias actuais, merecendo sem dúvida uma chamada de atenção.
O elenco, por sua vez, é habilmente liderado por Debra Winger e Sir Anthony Hopkins, um duo de actores de grande qualidade e talento. Hopkins faz um trabalho profundamente emotivo, no qual percebemos que tentou empregar bastante sentimento e também intelecto. Winger não me impressionou tanto, mas é inegável a grande qualidade do seu trabalho, especialmente nos momentos em que contracena com Hopkins ou com o seu filho ficcional, interpretado por um jovem chamado Joseph Mazello, o qual merece também um louvor pelo trabalho bem feito. O restante elenco dá aos protagonistas o apoio necessário, mas não sobressai nem se distingue.
O filme foi filmado em Oxford, e percebemos a forma como Attenborough tentou aproveitar os locais originais, onde Lewis terá estado e que seguramente conheceu, como a universidade e os espaços académicos. O filme dá-nos um aroma do ambiente da velha e conceituada instituição, e de algumas cerimónias e tradições que lá acontecem. A cinematografia é muito bonita e usa da melhor forma a luz, os grandes planos, as paisagens e a beleza dos edifícios antigos. Não há aqui grandes efeitos, nem o filme precisa disso, mas temos uma banda sonora eficaz.