**Um filme excelente sobre honestidade e conflito moral, que me parece um pouco esquecido hoje em dia.**
Este filme é mais um filme baseado em factos reais que eu vi recentemente. Ambientado nos EUA de inícios dos anos Setenta, conta a história de Frank Serpico, um jovem honesto que se tornou polícia e sonhou tornar-se detective, mas que embateu de frente com a corrupção generalizada dentro da força policial de Nova Iorque. Ao recusar-se a aceitar subornos e pagamentos discretos em dinheiro, tornou-se "persona non grata" para os colegas e mesmo para muitos dos superiores. Após muitas tentativas de se fazer ouvir nas mais altas instâncias da polícia, denuncia publicamente o que vai acontecendo e acaba por se tornar um alvo a abater.
Muito bem dirigido por Sidney Lumet, vale a pena ver este filme só para ver Al Pacino num dos trabalhos mais interessantes e profundos da sua carreira. Ele foi verdadeiramente capaz de mostrar o modo ingénuo como Serpico pensava e agia quando entrou para a força policial e a maneira como, gradualmente, se vai desencantando com a realidade. A personagem vai atravessar uma verdadeira crise de consciência, e Pacino foi perfeitamente capaz de transportar isso para a tela. A sua pureza, a sua absoluta e inquestionável honestidade e integridade, o seu calvário psicológico e moral tornam a personagem profundamente digna da nossa empatia. E é essa empatia que nos prende até ao fim. Não é por acaso que Al Pacino foi indicado ao Óscar de Melhor Actor, e venceu o Globo de Ouro.
Tecnicamente, o filme é muito bom. É muito, mas muito datado... tudo nele cheira a Anos Setenta, Verão do Amor etc. e a personagem principal parece um hippie saído de São Francisco, com uma barba à Che Guevara e roupas bizarras. Mas tudo bem! Serpico era mesmo assim e foi naquela época que tudo se passou, então o filme tinha mesmo de ser assim. O filme usa excelentes locais e cenários de Nova Iorque e mostra a cidade em toda a sua beleza de pomba maculada.
Parece-me um filme um pouco esquecido, actualmente. Sendo um filme inteiramente sobre integridade e honestidade, Serpico pode parecer difícil de digerir com toda aquela ambiência Anos Setenta, mas merece ser revisitado, nem que seja apenas pela qualidade do trabalho de Al Pacino.