**Desinteressante, lento e longe das grandes pérolas do terror espanhol.**
O terror espanhol tem sido um manancial de bons filmes ao longo dos últimos anos, muitos deles até francamente melhores que os seus concorrentes norte-americanos. Porém, após ter visto este filme, penso que é dos mais fracos e menos interessantes filmes de terror espanhol que eu já vi.
Toda a história gira em torno do suicídio misterioso do pai de Daniella, uma jovem que fica muito abalada pela perda. Pouco depois, ela visita a sua mãe, que está internada numa ala psiquiátrica, a fim de lhe dar a notícia mas ela trata-a por outro nome. Esse pequeno facto, associado à profanação da sepultura do pai e ao surgimento de um perturbado estranho que afirma ser o seu verdadeiro progenitor, lançam a jovem numa busca pelas verdadeiras razões pelas quais o pai decidiu matar-se, descobrindo que ele estava associado a uma antiga seita religiosa ultra-radical: os Abramitas.
Bem, o filme tem boas premissas, e começa de um ponto de partida promissor. Mas tudo é tão lento e o filme arrasta-se tanto que se torna cansativo e, a partir de certo momento, previsível. Outro problema deste filme, penso, é que entrega grande parte do mistério demasiado cedo e isso retira força e impacto à história. A tensão que é quase apanágio do horror espanhol é tão fina e surge tão escassamente que quase não se sente. O final é, no mínimo, uma desilusão. Não quero com isso dizer que todos os filmes devam ter um final feliz, mas acho que foi um final fraco para aquilo que o filme prometia.
O elenco é encabeçado pela jovem Erica Prior, que faz o que pode mas não tem, penso eu, a capacidade e experiência para fazer melhor. Talvez a aposta numa actriz mais experiente ou carismática tivesse sido melhor. Craig Hill foi convincente no seu papel, juntamente com a sua esposa na vida real, Teresa Gimpera. Craig Stevenson, John O'Toole e Frank O'Sullivan fazem bem o que podem fazer, mas não são suficientes para alicerçar o filme, limitando-se a dar todo o apoio possível. O restante limita-se a aparecer.
Tecnicamente, é um filme regular que não sobressai de maneira alguma. O melhor aspecto técnico aqui é a boa cinematografia, sombria e enevoada, essencial para manter uma certa tensão que o filme, a custo, vai logrando construir. A banda sonora ajuda igualmente, mas não sobressai nem se destaca. A canção usada no final pareceu-me especialmente despropositada. Poderia ter sido mantida mas sem voz, como um instrumental ou solo de piano, conseguindo desta forma, creio eu, muito mais impacto.