**Uma tentativa de fazer terror que não rende mais do que alguns pulos da cadeira.**
Desde que existe cinema de terror que temos visto vários filmes onde o grande elemento de terror é a solidão. Sendo os humanos um animal tão social como é, ficar confinado (e vimos isso na pandemia) pode ser realmente uma forma de tortura lenta, e as coisas pioram se associamos a solidão ao isolamento. Ficar só, num lugar isolado de tudo, como uma cabana de floresta ou uma casa de campo, pode ser ideal para relaxar, para um fim de semana, mas poucas pessoas se adaptam a viver assim. Claro, há pessoas que o preferem… mas são excepções.
O roteiro deste filme é apenas mais um que pega na solidão e no isolamento para o transformar numa experiência dolorosamente assustadora (ou pelo menos, era a intenção). Temos aqui uma psicóloga infantil que parece ter sido obrigada a suspender boa parte do seu trabalho para poder cuidar de um enteado adolescente que ficou tetraplégico após um acidente de carro, que ele mesmo provocou inadvertidamente, em meio a uma discussão, e no qual morreu o pai dele (o qual era casado com ela). Porém, ela mantém um paciente, uma criança surda que aparece em casa dela de noite, sozinha, em meio a um nevão, e que desaparece na floresta circundante. Ao cabo de várias buscas, as autoridades começam a acreditar que o menino não sobreviveu. Ao mesmo tempo, ela começa a ver o menino pela casa e a acreditar que está a ser assombrada.
Basta este resumo para vermos que não estamos diante de nada particularmente original, e que muito disto já foi feito, melhor e com mais competência, em produções com um orçamento de maior envergadura. Mesmo assim, e sem nunca ser realmente assustador, o filme brinca bem com o tema e com os usuais “pulos” que o terror norte-americano usa exaustivamente. Farren Blackburn só perde por não conseguir criar um ‘suspense’ mais eficaz, investindo mais na introdução do filme e no desenvolvimento das personagens antes de lançar o terror. Há filmes em que sentimos que o director perdeu tempo demais na introdução e apresentação da história e das personagens… mas este filme comete o erro diametralmente oposto, e não permite que o público tenha tempo para simpatizar com alguém. Há ainda muito material sobre sonhos, ou sobre pesadelos, mas nada disso é realmente levado adiante.
Naomi Watts é a grande estrela do filme, e eu realmente não consigo entender como ela acabou aqui. Ela terá lido o roteiro antes de aceitar este trabalho? Estará a passar uma fase menos boa da sua carreira profissional? O que importa é isto: ela é um dos poucos elementos salvíficos que impede este filme de ser uma total perda de tempo. A actriz é uma grande profissional e, como sempre, empenhou-se no seu trabalho, mas não tem material à altura, um director hábil ou colegas de peso que a levem a um nível mais refinado. Steven Portman e Oliver Platt não têm o tempo e a oportunidade de mostrar valor.
Tecnicamente, o filme não apresenta grandes problemas, mas também não tem nada que lhe dê sabor. É como comer arroz branco sem nada a acompanhar: comemos, mas não é um prato que nos satisfaça e obviamente que não gostamos, por muito bom que esteja.