É sem dúvida um dos meus filmes found footage favoritos de sempre. Já o revi tantas vezes que já perdi a conta, e continua sempre a surpreender-me. A sua curta duração é o seu maior trunfo, pois não há espaço para momentos mortos. Cada cena serve para puxar o espectador para dentro daquela espiral de caos e tensão.
A premissa é simples e acaba por parecer realista, pois acompanhamos uma repórter e o seu cameraman numa reportagem sobre o quotidiano dos bombeiros, até que recebem uma chamada de emergência. A partir do momento em que entram naquele prédio, tudo muda. O edifício é colocado em quarentena e a equipa fica presa dentro de quatro paredes com uma sinistra ameaça.
O que mais me fascina em REC é a sua abordagem crua, tensa e realista. Pois tudo parece mesmo saído de uma reportagem verdadeira, ao ponto de nos fazer esquecer que estamos a ver um filme. As interpretações não são dignas de Oscars, mas funcionam perfeitamente no contexto devido à sua naturalidade que nos faz acreditar que aquelas pessoas estão mesmo a viver o inferno que vemos no ecrã.
A realização é sufocante, pois a câmara, os corredores apertados, os gritos e os silêncios contribuem para criar uma atmosfera claustrofóbica, que culminam em 15 minutos absolutamente insanos, nos quais o nível de tensão atinge o seu auge e o desfecho é tão icónico que ficou gravado na minha memória desde a primeira vez que o vi.
Enquanto via o filme, só pensava como Rec é a prova viva de como se pode fazer terror puro e eficaz com uma simples, mas boa ideia. É não só um dos melhores found footage já feitos, como também um dos melhores filmes espanhóis de sempre. Para mim, enquanto apreciador do género de terror, é um clássico absoluto, que continua a deixar-me sem fôlego cada vez que o vejo.