**Beleza visual, bons actores e cenas de acção impressionantes não chegam para fazer um bom filme.**
Quando li acerca deste filme fiquei bastante curioso, a história parecia interessa, ou pelo menos tinha boas premissas para garantir um bom entretenimento. A Irlanda foi um local onde os esforços de cristianização encontraram graves dificuldades devido aos ataques de dinamarqueses, saxões e outros povos pagãos. Parece-me que o filme não se ambienta em cronologias tão recuadas, estará talvez mais próximo da Guerra dos Cem Anos, dado que a trama envolve também uma ameaça de guerra com os Franceses. Seja como for, no fim do filme eu fiquei com a sensação de que era possível fazer melhor.
Dirigido por Brendan Muldowney, o filme tem grande potencial e aproveita ao máximo a beleza natural das paisagens onde foi filmado graças a um trabalho de cinematografia e enquadramento verdadeiramente notável. O uso de mais línguas para além do genérico inglês (o gaélico e o francês, pelo menos) foi, para mim, um bónus muito bem-vindo. As cenas de acção e de luta são anacrónicas na sua concepção, mas visualmente impactantes e muito bem coreografadas. Infelizmente, não foi só nestas cenas que o filme ignorou as características do período histórico que retracta, e que por vezes é difícil situar, dado que mistura elementos da Alta Idade Média com Idade Média Plena (o que até estou disposto a perdoar) mas também atitudes e situações muito modernas, como se algumas daquelas personagens fossem enviadas para ali por uma máquina do tempo.
O elenco é reduzido ao mínimo indispensável, o que funciona muito bem considerando a trama. Richard Armitage oferece-nos um trabalho excelente e um vilão carismático, como é necessário num filme onde a ameaça tem de ser palpável; Tom Holland também mostra garra e empenho numa personagem que não é particularmente difícil para ele; John Lynch dá um apoio eficaz, mas mais discreto e Jon Bernthal funciona muito bem naquela que é, provavelmente, a personagem mais impressionante e memorável.
Infelizmente, eu não vou ao cinema para ver um filme à custa das paisagens, do trabalho de câmara e do trabalho de um ou outro actor. O essencial, para mim, é a história que os filmes querem contar (salvo algumas excepções, claro, onde outros valores clamam tanta ou mais atenção) e, neste caso muito concreto, a trama parece-me muito subdesenvolvida e esboçada para um filme de noventa minutos. Gosto de narrativas de jornada, mas gosto igualmente que as personagens tenham um arco de desenvolvimento coerente e lógico, o que nem sempre acontece aqui: as personagens mais dispensáveis acabam por ir morrendo para que não percebamos tanto a sua irrelevância. Há, também, algumas decisões que vão sendo tomadas e que me parecem absurdas, em particular no final, que é anti-climático e deixa o público insatisfeito (eu, pelo menos, fiquei).