"Paixão de Escritório" é uma comédia romântica leve, divertida e muito sustentada pela química dos atores, que fazem o romance funcionar não apenas pela atração, mas pela naturalidade das trocas, dos constrangimentos e das pequenas faíscas de intimidade que surgem no ambiente profissional. O filme acerta ao usar o escritório como espaço de controle, rotina e aparência, para depois bagunçar tudo com sentimentos, desejo e vulnerabilidade, mostrando que a vida adulta não precisa ser apenas trabalho, postura e responsabilidade. A graça está justamente nesse contraste entre a formalidade do mundo corporativo e o lado mais espontâneo, meio caótico e humano dos personagens. Além disso, o filme tem momentos de ousadia inesperada, como a cena do parto da amiga, que será uma surpresa e tando pra quem assistir, pois é algo incomum para uma comédia romântica tão comercial e que dá à obra uma sensação mais crua, física e realista da vida acontecendo fora da fantasia romântica. Outro detalhe muito divertido é o uso da fala "cuzão" em vários sentidos, que acaba funcionando quase como um bordão de múltiplas intenções, lembrando um pouco o efeito do "bah" aqui do Rio Grande do Sul: pode expressar surpresa, irritação, brincadeira, intimidade ou deboche, dependendo do tom. No fim, Paixão de Escritório talvez não queira reinventar o gênero, mas entrega exatamente aquilo que promete: romance, humor, química, situações absurdas e uma moral simples, porém eficaz, sobre permitir que o amor atravesse a rotina e lembre os personagens de que eles são mais do que cargos, funções e aparências.
E tem cenas pós-créditos engraçadas.
Dou uma nota 8/10. Recomendo.
Disponível na Netflix.