Obsession era um dos filmes de terror que eu mais queria ver este ano, principalmente porque adoro histórias de obsessão. Para mim, este tipo de narrativas são quase um guilty pleasure. E neste caso, o conceito parecia unir-se sem receios ao género do terror.
A história acompanha um rapaz que compra um objeto mágico capaz de realizar desejos e pede para que a rapariga por quem está apaixonado, Nikki, o ame acima de tudo e de todos. E como é óbvio, as coisas começam rapidamente a correr mal.
O filme é interessante porque não tenta ser um terror comercial mais convencional e quem estiver à espera de um slasher repleto de mortes e jump scares constantes talvez fique desapontado. Obsession é um trabalho mais estranho, alternativo e psicológico. E isso joga a favor do filme.
Gostei bastante do elenco principal, mas principalmente da atriz que interpreta Nikki. Sem entrar em spoilers, ela tem um papel extremamente exigente e entrega uma performance brutal, sendo que há momentos em que consegue ser desconfortável, perturbadora e até agonizante. Existe uma cena em particular que me fez literalmente reagir em voz alta no cinema de tão intensa que foi. E isso é a prova de que o filme consegue mexer com emoções mais agressivas e desconfortáveis do espectador.
Obsession demora um pouco a desenvolver a narrativa e reconheço que isso poderá afastar espectadores mais impacientes. Existem diálogos e cenas que se prolongam demasiado e sinceramente acho que, se fossem um pouco mais curtos, o filme ficaria muito mais envolvente.
Mas se há algo que detestei e talvez seja o único ponto que não me fez ficar tão envolvido foi a banda sonora. E aqui sei que provavelmente muita gente irá discordar de mim, mas detestei-a mesmo. O filme aposta constantemente num som synth que me lembrava imenso a melodia de fundo de vários episódios de Stranger Things e houve momentos em que me senti impedido de mergulhar naquele lado negro e dramático da narrativa. Não tenho nada contra synth no geral, mas aqui senti que não combinava nada com o tom do filme. Percebo que Curry Barker tenha tentado dar identidade própria ao projeto, mas para mim acabou por retirar impacto a várias cenas. Honestamente, foi uma das bandas sonoras que menos gostei num filme de terror.
Mesmo assim, quando a narrativa finalmente nos agarra, leva-nos para terrenos bastante intensos e perturbadores. E gostei da forma como o esta produção nos deixa constantemente à espera de perceber qual será o verdadeiro desfecho. Eu só comecei a perceber para onde o final caminhava apenas nos últimos 10/15 minutos e ainda assim conseguiu surpreender-me.
Obsession não entrou para a lista dos melhores filmes de terror da minha vida, mas sem dúvida que entra facilmente nos melhores deste ano. Não é um filme para todos, mas para quem gosta de terror psicológico com situações desconfortáveis, acho que vale bastante a pena.