**Vale a pena pelo que é, mas podia ser muito melhor.**
Este filme é um drama marítimo ambientado, em boa parte, no canal inglês: um pequeno barco de salvados encontra um navio, aparentemente abandonado e à deriva após um incêndio. Mas o que parecia ser um excelente dia de negócio para a tripulação tornou-se num mistério quando descobrem o capitão sozinho a bordo e, aparentemente, decidido a levar o navio para baixios e rochas perigosas que o podem fazer afundar.
O filme é simples, na medida em que não há nada de complicado na história contada e não tem grandes reviravoltas. O mistério é bastante evidente logo desde o início, mas nós continuamos a ver para percebermos como é que os vilões vão ser apanhados e qual a forma que o capitão do navio engendrou para o fazer. Há problemas e falhas bastante evidentes, assim como havia material e potencial para fazer mais e melhor. O final é, seguramente, a parte menos bem-feita e apelativa do filme, que teria ganho em ser inteiramente ambientado no mar e terminar com a prisão dos vilões. Mesmo assim, o filme vale a pena pelo que é.
O elenco conta com três grandes nomes artísticos, os quais provavelmente não terão guardado grandes memórias do filme. Charlton Heston deu vida à personagem principal e deixou-nos uma interpretação digna e contida, embora muito longe de ser brilhante. O actor aproveita bem o seu carisma, mas a personagem não é particularmente bem construída. Gary Cooper, num dos seus últimos trabalhos como actor e já bastante debilitado pela doença, merece um aplauso por um trabalho empenhado e pela sua entrega e força de vontade. Michael Redgrave e Richard Harris também aparecem, em personagens menores, dando um contributo limitado a um filme pensado para enfatizar o duelo entre duas personagens carismáticas, intensas e de vontades e personalidades antagónicas.
Tecnicamente, é um filme morno e pouco interessante. As cenas marítimas são elegantes e os navios têm todo o charme da era do vapor, mas é só. A cinematografia é regular e não consegue aproveitar o embalo da ondulação para, ocasionalmente e de modo contido, nos fazer sentir os embates das ondas naqueles navios. A luz também me pareceu algo esbatida e desmaiada, até mesmo nas cenas filmadas em pleno dia. A banda sonora é desinteressante e quase ausente.