Acabei de terminar de assistir.
O filme é interessante em dizer que: não adianta apenas provar que algo é mentira: é preciso dar às pessoas uma nova razão para acreditar, um novo sentido para viver.
Narrativas moldam nossa sobrevivência.
A fé sem reflexão pode destruir, mas a ciência sem humanidade também é insuficiente. O equilíbrio entre razão e empatia é o que liberta.
O verdadeiro milagre não é sobreviver sem alimento, mas conseguir nascer de novo através de uma nova história. Anna só se salva quando deixa de ser Anna, a mártir, e se torna Nan, a sobrevivente. Essa passagem simboliza que narrativas moldam nossa existência. Sem uma história que permita viver, qualquer pessoa, qualquer povo, definha.
O filme abre e fecha lembrando que estamos diante de uma construção, uma encenação. Esse recurso pode soar estranho, mas reforça a mensagem: a realidade sempre é mediada por histórias, sejam elas: religiosas, científicas ou pessoais. No fim, "O Milagre" nos convida a pensar: quais histórias estamos alimentando? São elas que nos libertam ou que nos aprisionam?
O filme deixa claro que o milagre não é algo divino e distante, mas a coragem de reinventar a si mesmo e de escolher uma nova verdade para viver.
Por outro lado, principalmente devido ao ritmo lento, ambiguidade narrativa ou a sensação de que há muita coisa deixada no ar.
Minha nota é 7/10, assisti na Netflix. Ainda assim é um filme pra se ver apenas uma vez.