**Um filme cheio de valor cultural e histórico.**
Um clássico do cinema mudo alemão, com grande influência do expressionismo, este filme é o terceiro de uma autêntica trilogia que Paul Wegener fez acerca do conto germânico do Golem, sendo que o primeiro data de 1915 e o segundo de 1917. É também o melhor preservado, na medida em que só temos fragmentos do primeiro e rigorosamente nada do segundo filme.
O roteiro segue em linhas gerais o conto tradicional: em Praga, um sábio rabi judeu cria uma estátua humana com barro, a que dá vida usando feitiçaria. A criatura, feita para ajudar a comunidade e para a defender dos que a odeiam, fica fora de controlo e, quando começa a matar, tem de ser detida. O final, confesso, desagradou-me um pouco. Estamos acostumados a um clímax final onde o vilão é derrotado por uma força benigna... isso acontece também aqui, mas de uma forma que não estamos acostumados, pois não existe um clímax real neste filme. O filme relata a história, mas ainda não a sabe tornar em algo verdadeiramente dramático e impactante.
Paul Wegener deve ter sido um cineasta de primeira água. Não só fez uma das primeiras trilogias do cinema (até onde eu conheço) como foi director, roteirista e protagonista de cada um dos filmes. Ele era o Golem neste e nos outros filmes. O Golem foi, assim, um dos primeiros monstros a ser aproveitado pelo cinema de terror, então nascente. É um filme que vale a pena ver, principalmente pelo seu valor cultural e histórico.