Natal Amargo (2026) de Pedro Almodóvar
Por: Daniel Victor
“Eu estou farto de mim mesmo. Eu não quero recorrer a mim mesmo para continuar escrevendo” [...] “Estou procurando alguém que eu queira escrever, porque até agora hoje escrevi sozinho. Alguém com quem compartilhar e me traga um mundo diferente do meu.” Foi o que confessou Pedro Almodóvar, em sua coletiva de imprensa no Festival de Cannes, sobre os novos rumos que o diretor espanhol pretende seguir em sua carreira.
O recorte da fala de Almodóvar ajudou a compreender os motivos dos meus sentimentos mistos em relação ao seu novo longa, Natal Amargo. Ao mesmo tempo em que a obra utiliza sua metanarrativa de forma interessante para discutir os dilemas éticos e os limites sobre o que um artista deve (ou não) se apropriar da “realidade”, a experiência me deixou perplexo diante do desleixo e dos deslizes presentes em diversos momentos da produção, indo de encontro à sua própria filmografia que preza pela atenção aos detalhes.
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Natal Amargo é o autorretrato do desgaste de Pedro Almodóvar, um exercício metanarrativo que funciona como reflexão sobre o momento atual de sua carreira. Mesmo com o desleixo em alguns pontos, o longa já nos mostra pistas do futuro que o diretor espanhol pretende seguir em suas novas produções. Apesar de eu não ter apreciado o filme tanto quanto gostaria, espero que essa mudança de rota possa gerar uma nova safra de sucessos. Pois talento, o realizador ainda tem de sobra.
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