**Um final honrado, mas decepcionante, para uma trilogia que prometia mais qualquer coisa.**
Cheguei ao conhecimento desta trilogia de filmes suecos através do seu famoso "irmão gémeo" americano, e acredito que não fui o único. Apesar dos créditos internacionais, não é habitual que o cinema sueco seja muito divulgado. E tampouco a literatura! Por isso, também não li o livro para julgar como a adaptação lhe fez justiça, mas faço fé naqueles que dizem que foi uma adaptação relativamente fiel ao material original. Este filme foi dirigido por Daniel Alfredson.
Este filme é uma sequela e acompanha a sequência lógica dos acontecimentos após os dois primeiros filmes: após o confronto com Zalachenko e Niederman, Lisbeth Salander é capturada pelas autoridades, mas está gravemente ferida. Internada num hospital juntamente com Zalachenko, ela vai ter de responder perante a justiça. Mas para ser inocentada vai depender muito de uma franca colaboração com a justiça, e ela não está disposta a colaborar.
O filme tem uma boa trama e uma história carregada de mistério e que nos sabe prender pela curiosidade. Contudo, senti que o roteiro deste filme é demasiado imaginativo nalgumas ideias e perde, com isso, alguma credibilidade. Também senti que o final do filme é verdadeiramente decepcionante na medida em que é frio, impessoal e anticlimáctico. Os momentos de acção continuam a fazer parte do filme, como sucedeu com os dois predecessores. A direcção de Alfredson tenta redimir-se da excessiva frieza e impessoalidade de “The Girl Who Played With Fire” e tem algum sucesso nesse esforço, mas continua a não ser uma direcção tão boa quanto a de Niels Arden Oplev no primeiro filme da trilogia.
O elenco é esmagadormente o mesmo de sempre. Noomi Rapace está impecável e volta, em parte, ao patamar interpretativo demonstrado no primeiro filme; Michael Nyqvist, também nos deixa um bom trabalho mas não é tão interessante como foi nos dois filmes anteriores. Lena Endre mantém o seu trabalho bom mas não vai além do esperado. Micke Spreitz faz o que pode com uma personagem virtualmente muda mas extremamente brutal. Georgi Staykov é muito bom como vilão e fez um excelente trabalho. Annika Hallin e Anders Ahlbom Rosendahl também deram sinais de talento.
Tecnicamente, o filme é o mais fraco e desinteressante da trilogia porque é excessivamente televisivo. Parece um filme feito para a TV e não para a tela grande. Recupera uma parte do ambiente misterioso e tenso do primeiro filme, mas visualmente é desinteressante e não capta o nosso olhar. Para isso, contribuiu largamente uma cinematografia branda e insossa, além de efeitos visuais dignos de uma série de TV de fim-de-semana. Os cenários, assim como a escolha das paisagens e locais de filmagem, está dentro do esperado e os figurinos são pouco interessantes, com excepção dos reservados a Salander. A banda sonora faz bem seu trabalho.