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ACERVO · Filme · 2012

Os Miseráveis

Les Misérables

Na França do século 19, o ex-prisioneiro Jean Valjean, perseguido ao longo de décadas pelo impiedoso policial Javert por ter violado sua liberdade condicional, busca redenção pelo seu passado e decide acolher a filha da prostituta Fantine.

Fonte: TMDB
* 7.3 (5,584)DramaHistóriaReino Unido · Estados Unidos
Diretores
Tom Hooper
Paises
Reino Unido · Estados Unidos
Estudios
Universal Pictures · Working Title Films · Cameron Mackintosh Ltd. · Relativity Media
Duração
158 min
Classificação etária
14 anos
Lancamento
18/12/2012
Pontuacao
7.3 / 10 (5,584)
Onde assistir
Aluguel
Claro videoClaro videoApple TV StoreApple TV StoreAmazon VideoAmazon Video
Compra
Apple TV StoreApple TV StoreAmazon VideoAmazon Video
Elenco
Hugh Jackman
Hugh Jackman
Jean Valjean
Russell Crowe
Russell Crowe
Javert
Amanda Seyfried
Amanda Seyfried
Cosette
Anne Hathaway
Anne Hathaway
Fantine
Eddie Redmayne
Eddie Redmayne
Marius Pontmercy
Sacha Baron Cohen
Sacha Baron Cohen
Monsieur Thénardier
Helena Bonham Carter
Helena Bonham Carter
Madame Thénardier
Aaron Tveit
Aaron Tveit
Enjolras
Samantha Barks
Samantha Barks
Éponine Thénardier
Daniel Huttlestone
Daniel Huttlestone
Gavroche
Comentários

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…
Resenhas de usuarios
Filipe Manuel Neto
★ 9.0 / 10
**UM MUSICAL QUE A MAIORIA FOI VER SEM SABER QUE ERA UM MUSICAL.** CRÍTICA QUE ESCREVI QUANDO REVI O FILME. Victor Hugo publicou “Os Miseráveis” em 1862: é um romance icónico, que acompanha as mudanças político-sociais em França após a derrota de Napoleão sob a perspectiva dos mais pobres da sociedade, em particular Jean Valjean, um homem condenado injustamente e que quebrou a sua liberdade condicional. A trama foi alvo de várias adaptações para o teatro, o cinema e a Broadway, mas este filme dedica-se especificamente a adaptar o musical. A ideia surgiu em 1991, mas o produtor do musical, Cameron Mackintosh, só a alavancou em 2011, quando Eric Fellner e Tim Bevan compraram os direitos. A Universal Pictures, com quem trabalhavam, deu-lhes um orçamento de 61 milhões de dólares, chamou William Nicholson para escrever o argumento e Tom Hooper (“O Discurso do Rei”) para dirigir. O roteiro foi feito sobre dois eixos. O primeiro era a manutenção da musicalidade sem perder coerência narrativa: as cenas tiveram de ser reordenadas e novas canções foram feitas para preencher lacunas. O segundo eixo foi uma maior fidelidade ao livro, exigência do director que incentivou Nicholson a reintroduzir elementos descartados pelo musical. Certas filmagens foram feitas no Sul de França, mas a maioria ocorreu no Reino Unido, nos estúdios Pinewood e em locais como Winchester, Chatam, Bath e Greenwich. Isto permitiu à produção aproveitar incentivos fiscais e cortar custos. Os bairros pobres e a barricada são cenários em estúdio, mas a cena inicial foi filmada numa doca-seca da época, na Base Naval de Portsmouth, com figurantes e actores a puxar um navio autêntico. Apostando num realismo visceral e boa recriação do período, fizeram mais de 4500 peças de vestuário com tecidos naturais (seda, lã, linho), desbotados e desgastados para parecerem autênticos, e as armas eram replicas de peças de museu da época. O filme reproduz bem a falta de salubridade e miséria dos subúrbios de Paris, a brutalidade do sistema penal e as barricadas da Rebelião de 1832. O que falha é o excesso de dramatismo: o filme é tão épico que faz esquecer que esta rebelião nunca teve os apoios necessários e foi facilmente debelada pela Guarda Nacional. Usando película 35 mm em vez de câmaras digitais, a cinematografia aproveita melhor a luz amarelada, simulando as velas, e a luz fria e filtros cinzas, recriando a luminosidade baça de uma cidade pobre e industrializada. Para cenas dinâmicas nas barricadas, usaram câmaras de mão e steadicams, levando o público para o meio da acção; nas canções a solo recorreram a close-ups com lentes de grande ângulo que aumentam o intimismo, realismo e dramatismo da cena. Sendo um musical, as canções são parte essencial: a maioria foi tirada da peça da Broadway feita por Claude-Michel Schönberg, e funcionam lá como cá. Contrariando o hábito de acrescentar as canções na pós-produção, o director quis que o elenco cantasse na filmagem recorrendo a auriculares discretos onde a melodia era tocada. Isto permitiu aos actores modelarem o canto e a actuação de uma forma natural e emotiva. Arrisco dizer que a versão de Anne Hathaway de “I Dreamed a Dream” é das melhores versões da canção. Isso leva-me a falar do elenco e das suas capacidades de canto. Algumas escolhas não surpreendem: Hugh Jackman, por exemplo, é uma presença assídua na Broadway e dono de uma notável capacidade vocal. Outras apostas seguras incluem Samantha Barks, Amanda Seyfried, Aaron Tveit e Helena Bonham Carter, todos eles com prévia formação de canto e experiência em musicais. Hugh Jackman e Anne Hathaway são os actores que mais fortemente nos comovem e impressionam graças a uma entrega extrema às suas personagens. Ambos perdem bastante peso para o filme, e ela chega até a cortar o cabelo em cena. Eles combinam muito bem a musicalidade da Broadway com a crítica social violenta que o livro original faz, e que tem eco na produção realista e na cinematografia enevoada e suja. Eddie Redmayne foi uma surpresa agradável, na medida em que canta melhor do que eu esperava. E se eu aceito bem o excesso de close-ups e o senso épico algo exagerado, também estou disposto a aceitar a performance vocal estranha de Russell Crowe, a quem falta a tessitura vocal necessária para acompanhar os colegas. Ele é bom para fazer esta personagem, mas num filme falado, sendo prejudicado pela falta de voz. O que me custou engolir foram as esquisitices de Sacha Baron Cohen: acho que foi um erro de casting resultante de uma leitura exagerada da personagem, caricatural em vez de engraçada. Um outro problema foi o marketing e a publicidade ao filme: a maioria das coisas que eu vi não deixavam claro que era um musical 100% cantado, e algum público (onde eu me incluo) só se apercebeu disso depois de comprar o bilhete do cinema!
TMDB
Filipe Manuel Neto
★ 9.0 / 10
**Profundamente comovente.** Este filme conta a história de Jean Valjean, um homem condenado a trabalhos forçados por roubar comida quando estava com fome. Libertado, foi apanhado a roubar todas as pratas de um padre que lhe permitira dormir na sua igreja. Porém, o gesto de bondade do sacerdote, que lhe permitiu ficar com tudo, levou-o a violar a liberdade condicional e deixar de se apresentar às autoridades, indo estabelecer-se noutra cidade, com outro nome, com o qual depressa se torna uma personalidade notória da vida local, e um homem honrado. Até que o comissário Javert, da Polícia, surge no seu encalço, determinado a prendê-lo. Dirigido por Tom Hooper, o filme tem um roteiro com base na história homónima de Victor Hugo. O elenco é liderado por Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway e Sacha Baron Cohen, entre outros actores. A história deste filme não precisa de introdução. É um daqueles romances que toda a gente já leu ou conhece de ouvir falar. Um dos mais famosos de Victor Hugo, já foi adaptado ao cinema, ao teatro e até deu origem a um dos mais famosos musicais de sempre. Com efeito, este filme não mais é do que a adaptação cinematográfica do musical, mantendo a maioria das canções criadas para ele. Sobre o roteiro nada há a dizer: a adaptação feita é boa e convincente. Os actores são monstros de talento, com excelentes vozes, e alguns deles já estão acostumados ao universos dos musicais britânicos e americanos. Jackman deu uma alma pura à sua personagem, contrastando com a gravidade vocal de Russell Crowe, cujo Javert é um homem obcecado com a punição dos criminosos e descrente na sua reabilitação. São personagens fortes, interpretados por actores experientes com uma presença enorme em cena. As cenas de acção entre eles são de tirar o fôlego. Anne Hathaway também merece uma menção especial, não só pelo esforço físico que passou para ser Fantine (ela ficou extremamente magra e quase careca para o papel) mas pela qualidade do que ela fez. Tendo uma das personagens mais dramáticas do filme, tem algumas das cenas mais trágicas e a música mais triste, "I Dreamed A Dream". É quase impossível não nos emocionarmos com essas cenas e a forma com que a actriz canta essa música e dá uma alma quase mártir à sua personagem. Os cenários são excelentes e tentam ser fiéis ao livro e à história. Os trajes também e alguns merecem aplausos, retractando bastante bem a miséria em que os mais pobres viviam. Os efeitos visuais cumprem o seu papel de uma forma discreta mas eficiente, e a banda sonora será por certo lembrada por todos os que viram o filme. Vencedor de três Óscares (Melhor Actriz Secundária, Melhor Caracterização, Melhor Edição e Mistura de Som), é um filme para toda a família.
TMDB
Palavras-chave
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