Japão, 1582. Nobunaga quer unificar o país. Seu vassalo Murashige se rebela e some. Generais Macaco, Careca e Guaxinim o caçam. Traições, decapitações e comédia sombria. Baseado no Incidente de Honnō-ji. Kitano destrói o mito samurai.
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Resenhas de usuarios
H
Hayllander
Tradutor desta legenda aqui. E sim, eu assisti cada frame, cada cabeça rolando, cada "puta com pênis". Posso dizer: Kubi é o filme mais corajoso e cínico de Takeshi Kitano em anos.
O que você precisa saber antes de assistir? Esqueça Os Sete Samurais. Esqueça honra, códigos, bushido. Aqui, generais se chamam de Macaco, Careca e Guaxinim. O senhor da guerra Oda Nobunaga é retratado como um tirano sádico que usa sexo e violência para controlar seus vassalos. E há uma cena envolvendo um prostituto travestido que eu não vou descrever – mas a legenda resolveu como "sou só uma puta com pênis". É isso. Kitano quer te desconfortar.
O filme é dividido entre humor ácido e violência explícita. Tem cenas de decapitação em massa que lembram Takeshis' (2005), mas com um orçamento maior. E no meio disso tudo, há momentos de puro absurdo pastelão – como os camponeses correndo atrás do exército ou o personagem Mosuke tentando decapitar um general com uma espada enferrujada.
Kitano tem 77 anos. Ele sabe que está velho. Ele não tenta esconder. Pelo contrário: ele joga isso na sua cara, assim como joga cabeças, sangue e sarcasmo. Kubi é um filme sobre o que sobra da figura do samurai quando você tira todo o romantismo. Sobra podridão. Sobra desejo. Sobra traição. E sobra um humor negro que poucos diretores no mundo dominam como ele.
Não é para todos. Se você tem estômago fraco ou se acredita que samurai era herói, passe longe. Se você quer ver um mestre do cinema japonês cuspindo no próprio mito e rindo da sua cara, aperte o play.
Nota: 9/10. Meia estrela a menos só porque eu queria mais cenas do Yasuke (o samurai africano). Mas isso é implicância minha.