Tão memorável que me esqueci completamente que o tinha visto ao ponto de só me lembrar do filme porque apareceu numa publicidade, que me fez ter alguns flashbacks aleatórios de Mercy. Portanto, talvez isso diga mais o filme do que qualquer crítica que eu possa escrever.
Antes demais, Mercy não é propriamente mau, é apenas o típico filme de ação e ficção científica que entretém durante 90 minutos e é apagado instantaneamente da memória assim que termina.
A premissa até é interessante. Acompanhamos um homem condenado à pena de morte que tenta provar a sua inocência em 90 minutos perante uma Inteligência Artificial responsável por analisar o caso. Existe ali potencial para um thriller mais psicológico e até para alguma crítica social sobre tecnologia, vigilância e justiça automatizada, que nunca vai além do superficial.
Contudo, o grande problema é que, a meio, o filme começa a complicar demasiado aquilo que devia ser simples. A narrativa tenta constantemente adicionar plot twists, subtramas, novas consequências e revelações atrás de revelações, mas sem nunca construir nada realmente inteligente ou impactante. Na verdade é mais uma tentativa desesperada e barata de disfarçar que, no fundo, estamos perante um filme bastante básico.\
Além disso, há vários detalhes que não fazem qualquer sentido. O exemplo mais gritante é o facto de as personagens estarem constantemente a filmar situações completamente banais do quotidiano, como discussões entre um casal ou conversas normais de família, é quase como se na realidade de Mercy toda a gente vivesse permanentemente a fazer vlogs da própria vida.
Mesmo assim, se desligarmos o cérebro, até dá para passar um bom bocado, visto que tem ritmo suficiente para entreter e nunca chega a ser aborrecido. Só que também nunca faz nada para se destacar e nos marcar. Portanto, resta-me dizer que Mercy acaba preso naquela categoria muito específica de filmes: suficientemente bons para não serem maus e suficientemente maus para nunca serem bons.