**Não vale a pena pagar para ver isto.**
Este é um daqueles filmes que prometia muita coisa e acabou por não concretizar quase nada daquilo que eu esperava. Com um elenco cheio de actores bem reputados e uma boa sinopse prometendo uma história intrigante para dizer o mínimo, eu pensei que teria, pelo menos, algum interesse. Acabei bastante decepcionado: o filme começa bem e lembrou-me um pouco alguns daqueles tríleres de há dez ou quinze anos, como, por exemplo, “Single White Female” ou “The Hand that Rock’s the Cradle”, dois filmes que vieram à minha memória então. Porém, começa a desmoronar a partir do momento em que aquela mulher, praticamente desconhecida, se muda para a casa de hóspedes dos novos amigos.
Acho que a direcção foi muito importante para determinar a ruína deste projecto: Jonathan Baker é o nome do desconhecido que se sentou na cadeira do director, e parece não ter a menor habilidade para dirigir um filme. Eu não o conhecia, mas não fiquei apreensivo, já tive surpresas agradáveis às mãos de directores que nunca tinha visto. Todavia, rendo-me às evidências: será melhor para Baker encontrar outro emprego. A cinematografia até vai funcionando razoavelmente, e o filme cumpre os mínimos do ponto de vista técnico, mas a tensão que deveria construir não está lá. Outra pessoa apta para retornar às filas do Centro de Emprego é Chloe King, que já tinha assinado o lixo de trama usado no filme “Poison Ivy 2”. Aquilo que ela escreveu para este filme envergonharia um dramaturgo de peças escolares do ensino secundário: o enredo é previsível, usa e abusa de quase todos os clichés de género e, mais grave, tem falhas de lógica tão óbvias que arruínam a trama irremediavelmente: por exemplo, se aquela mulher matou uma pessoa e fugiu por que é que nunca vemos a polícia até ao fim? Pode acreditar-se que se pode matar dois adultos e fazer desaparecer a filha deles sem dificuldade? E depois aquela médica… como diabos foi ingénua a ponto de fazer o que faz aqui? Não é ingenuidade, é estupidez e eu seria igualmente estúpido se acreditasse na trama que este filme quer vender!
Um director totalmente inexperiente, um argumento mal escrito e sem inspiração, péssimas personagens, sem desenvolvimento coerente. O filme estava, assim, condenado logo à partida. Mesmo assim, a produção investiu em actores com nomes sonantes: tentaram ao máximo chamar Lindsay Lohan, o que iria certamente rebaixar ainda mais o interesse do trabalho final, mas o estúdio teve a sensatez de travar a tempo e impor Nicky Whelan, uma actriz de terceiro escalão que, pelo menos, tem certa experiência e não está associada umbilicalmente a desastres de bilheteira e interpretações de papelão. Lado a lado com a igualmente fraca Gina Gershon, é difícil dizer quem faz melhor: ambas foram fracas nos seus esforços, mas até um bom actor teria dificuldade para trabalhar decentemente sem o apoio de um director que lhe diga exactamente como pretende as coisas, como foi o caso aqui. Faye Dunaway parece estar aqui por acaso: ela não faz um esforço, nem o filme lho exige, limitando-a ao papel de sogra viperina e odiosa, que esconde o veneno por trás de uma calorosa conversa à mesa da refeição. Nick Cage está só à caça de mais um cheque bancário para pagar mais um osso do seu dinossauro de estimação, ou mais uma pedra de um dos castelos onde desbaratou a sua fortuna. Quanto a Natalie Eva Marie nem merece ser chamada actriz. Foi a sensualidade do corpo dela que lhe garantiu o que, na prática, é só um dispensável cameo de cinco minutos. Sem uma história decente, tem de haver sexo e peitos nus para manter o público na sala.