**Um filme injustamente esquecido nos dias actuais.**
Confesso que não sabia bem o que esperar deste filme. Sabia apenas que foi francamente bem-sucedido na década em que foi lançado, e que hoje em dia quase ninguém se lembra dele. É dirigido por Luc Besson, um director francês que respeito e considero competente.
O roteiro baseia-se na relação de Jacques e Enzo (suponho que um será francês e o outro italiano). Eles são amigos de infância, mas afastam-se pouco depois da morte acidental do pai de Jacques. Já na vida adulta, os dois tornam-se campeões de mergulho em apneia e rivais no título mundial da especialidade. A história funciona razoavelmente bem, mas derrapa bastante na sub-trama amorosa criada em torno da personagem de Johana Baker, que parece muito subscrita.
O filme conta com um forte elenco francês liderado eficazmente por Jean Reno, que é um dos melhores actores franceses da actualidade, pelo menos para mim. Ele dá à personagem dele um humor sisudo e uma certa sobranceria que senti ser muito adequada. Jean-Marc Barr também faz um bom trabalho, mas não tem o carisma e a presença de Reno. Rosanna Arquette é bonita, elegante, mas não é mais do que uma cara bonita para o filme. O material que ela recebeu é francamente pobre.
Luc Besson gosta do mar, e de filmes onde a cinematografia e a banda sonora dominam artisticamente e nos absorvem os sentidos. Com este filme, ele dá-nos tudo isso, em doses generosas, graças à beleza do Mar Mediterrâneo, magnificamente filmado em cenas soberbas, abaixo e acima do nível das águas, e a uma excelente banda sonora, da responsabilidade de Eric Serra. A edição também foi muito bem dirigida e o filme tem um ritmo bastante agradável. Tudo isto são motivos para revisitar e revalorizar um filme que me parece injustamente esquecido.