Decidi ver "Hellraiser: Inferno" apenas por ser o primeiro filme realizado por Scott Derrickson, o mesmo realizador de grandes êxitos como "The Exorcism of Emily Rose", "The Black Phone", "Sinister" e "Doctor Strange". Na altura, Derrickson ainda era um realizador inexperiente, mas mesmo assim, foi interessante observar pequenos detalhes que já fazem parte da sua assinatura criativa.
Existe um mito urbano em torno do argumento deste filme. Diversas fontes afirmam que o guião original foi escrito com perspetiva para ser um thriller policial independente e sem qualquer ligação com o universo de "Hellraiser", mas os produtores decidiram alterar diversas partes e inseri-lo nesse universo. No entanto, os próprios argumentistas desmentem essa versão. Pessoalmente, acredito na primeira hipótese, pois senti que o Pinhead e os restantes cenobitas (criaturas de outra dimensão conhecidas por trazerem um prazer extremo que é compreendido como dor e tortura pelos humanos) foram inseridos à força e ambos os conceitos não combinam. Parece que cortaram páginas do guião original e no lugar delas colaram páginas com conceitos da saga "Hellraiser".
"Hellraiser: Inferno" poderia ser um excelente thriller de investigação, mas acaba por se destacar como um trabalho incompleto, pois falha em criar uma obra atmosférica e intrigante, e também falha em invocar e respeitar todos os elementos da saga "Hellraiser". Só para terem uma noção: Pinhead, o vilão principal, aparece por cerca de 1 minuto no total do filme.
Considero-o mediano. Está longe de ser péssimo. Gostei essencialmente do conceito dos cenobitas, que apareceram em menos de meia dúzia de cenas, e por vezes, a trama conseguiu instigar o meu interesse, mesmo que algumas reviravoltas e situações fossem previsíveis. Mesmo assim, foi interessante observar como Scott Derrickson evoluiu desde o início da sua carreira.