O conceito de Faces of Death deixou-me curioso, porque parecia ser daqueles filmes intensos que nos deixam desconfortáveis na linha de High Tension, Hostel ou Saw, mas capazes de nos entreterem.
A história acompanha uma moderadora de conteúdos de uma rede social semelhante ao TikTok, que passa os dias a censurar vídeos que apresentem outros conteúdos violentos, sexuais ou susceptíveis. A certa altura, começa a deparar-se com vídeos extremamente realistas inspirados num suposto filme antigo chamado Face of Death (1978), e começa a questionar-se se aquilo será falso ou se existe mesmo um serial killer a publicar homicídios reais.
Inicialmente, o filme até consegue criar alguma curiosidade. A ideia de acompanhar alguém que trabalha diariamente rodeada de violência tinha potencial para fazer uma crítica interessante sobre o acesso fácil e o consumo de violência na internet. O problema é que o filme nunca vai realmente longe.
Quanto mais a narrativa avança, mais tudo começa a cair em clichés bastante previsíveis. Não há suspense, nem muita tensão e, acima de tudo, não há identidade própria. Nunca existe aquele momento em que sentimos verdadeiro desconforto ou paranoia, que era algo que exatamente eu esperava deste filme.
O gore não é nada de especial. Não vão encontrar nada que perdure na vossa cabeça. As únicas cenas que me impactaram foram mesmo os excertos do filme original de 1978, que me fizeram questionar se alguma daquelas situações era mesmo real ou se alguém sentia prazer a ver aquelas mortes. Confesso que ainda estou a pensar se a cena do senhor electrocutado foi encenada ou real (tenho vontade de pesquisar, mas também tenho medo de me deparar com algo que me perturbe).
Para mim, esta produção nem sequer precisava de ser extremamente perturbadora e causar trauma nos espectadores, até porque nem sou grande fã de filmes que me deixem traumatizado. Mas esperava pelo menos um filme capaz de me manter desconfortável e sobretudo preso ao desenvolvimento da narrativa. Que foi um pouco que Tesis (1996) fez ao explorar um conceito muito semelhante em torno de uma VHS snuff encontrada numa universidade. Esse sim, vale a pena e quase que é uma versão espanhola do The Silence of the Lambs (1991).
Infelizmente, Faces of Death nunca conseguiu ser suficientemente interessante e também senti algumas falhas no argumento. Há situações que simplesmente não fazem muito sentido, principalmente quando a protagonista tenta denunciar os vídeos à polícia e praticamente ninguém leva aquilo a sério. Presumo que na vida real, dificilmente as autoridades ignorariam conteúdos daquele nível.
Mesmo assim, não acho que seja um desastre total. Dá para distrair e tem uma premissa interessante. Só penso que podia ter sido muito mais inteligente, marcante e sobretudo envolvente.