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ACERVO · Filme · 1939

...E o Vento Levou

Gone with the Wind

Scarlett O'Hara é uma jovem mimada que consegue tudo o que quer. No entanto, algo falta em sua vida: o amor de Ashley Wilkes, um nobre sulista que deve se casar com a sua prima Melanie. Tudo muda quando a Guerra Civil americana explode e Scarlett precisa lutar para sobreviver e manter a fazenda da família.

Fonte: TMDB
* 7.9 (4,407)DramaRomanceGuerraEstados Unidos
Trilha sonora
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Diretores
Victor Fleming
Paises
Estados Unidos
Estudios
Selznick International Pictures · Metro-Goldwyn-Mayer
Duração
238 min
Classificação etária
Livre
Lancamento
15/12/1939
Pontuacao
7.9 / 10 (4,407)
Onde assistir
Streaming
HBO MaxHBO MaxOldflixOldflixHBO Max Amazon ChannelHBO Max Amazon ChannelTelecine Amazon ChannelTelecine Amazon Channel
Aluguel
Apple TV StoreApple TV StoreAmazon VideoAmazon Video
Compra
Amazon VideoAmazon Video
Elenco
Vivien Leigh
Vivien Leigh
Scarlett O'Hara
Clark Gable
Clark Gable
Rhett Butler
Olivia de Havilland
Olivia de Havilland
Melanie Hamilton
Leslie Howard
Leslie Howard
Ashley Wilkes
Hattie McDaniel
Hattie McDaniel
Mammy
Thomas Mitchell
Thomas Mitchell
Gerald O'Hara
Barbara O'Neil
Barbara O'Neil
Ellen O'Hara
Evelyn Keyes
Evelyn Keyes
Suellen O'Hara
Ann Rutherford
Ann Rutherford
Carreen O'Hara
George Reeves
George Reeves
Brent Tarleton
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Resenhas de usuarios
Filipe Manuel Neto
★ 10.0 / 10
**UMA OBRA CINEMATOGRÁFICA TÃO COLOSSAL QUE EU PEÇO DESCULPA A TODOS POR TER ESCRITO UMA CRÍTICA TÃO ABSURDAMENTE LONGA, MAS EU TINHA DE O FAZER.** CRÍTICA QUE ESCREVI APÓS REVER O FILME. Em 1936, Margaret Mitchell publicou o romance “Gone With the Wind”, abertamente simpático à chamada Causa Perdida. A autora, que cresceu em Atlanta, num meio ressentido pelo fim do Velho Sul, conseguiu unir no seu livro uma narrativa que lamenta a derrota sulista com uma apelativa história de resiliência. O romance podia ter sido detestado por metade dos americanos, mas foi um êxito: o público, imerso nas agruras do Dust Bowl e da Depressão, reviu-se no exemplo de tenacidade da personagem central, Scarlett. O livro acabou por vencer o Prémio Pulitzer em 1937, mas Hollywood riu da ideia de o adaptar ao cinema antes mesmo de ser publicado: um tijolo de mil páginas era o pesadelo dos argumentistas, além de que filmes sobre a Guerra Civil não vendiam! Quem mudou isso foi Kay Brown, editora do produtor David O. Selznick: ela leu a sinopse do livro e enviou uma nota ao patrão: “compre os direitos já!” Foi o que ele fez, por 50 mil dólares, uma fortuna para uma novata. Anos depois, enviar-lhe-ia um cheque adicional no mesmo valor por sentir que pagou pouco! Selznick tinha feito carreira na MGM, mas montara a produtora independente Selznick International Pictures. Em 1937, delegou a escrita do argumento em Sidney Howard, que lhe deu um texto para quase seis horas de filme recusando-se a encurtá-lo. Selznick foi obrigado a dar a tarefa a uma sucessão de autores que contratava e despedia consoante o resultado, numa caótica dança de cadeiras que deixou a filmagem sem argumento final e sujeita às mudanças que Selznick decidia no próprio dia! O resultado é um texto onde é Howard foi creditado, mas que foi cortado, cosido e mastigado ao gosto de Selznick. Para a direcção, contratou George Cukor, que dirigiu a pré-produção, os castings e a concepção dos cenários, figurinos e adereços. Toda a filmagem decorreu nos estúdios de Culver City, em cenários que nos dão uma visão idílica do Velho Sul. David O. Selznick não se importou nada com a recriação histórica, mas tinha uma obsessão por detalhes que o fazia exigir perfeição. Tara, a plantação principal, ganhou um aspecto mais imponente do que no livro para satisfazer a expectativa do público. Walter Plunkett, o figurinista, pesquisou intensamente o vestuário da época num esforço para criar mais de cinco mil peças de roupa credíveis, incluindo anáguas e espartilhos sob medida! Os uniformes são igualmente realistas, tingidos e envelhecidos artificialmente para parecerem desgastados. Além dos problemas para fazer um argumento adaptado, a produção começou a enfrentar dificuldades sérias de financiamento: o dinheiro esvaía-se como água e a empresa de Selznick precisava de fundos para acabar o filme e uma rede de distribuição capaz de garantir algum lucro. Assim, ele teve de engolir o orgulho e procurar o seu sogro Louis B. Mayer, o poderoso patrão da MGM. Com a faca e o queijo na mão, Mayer, um implacável negociador, exigiu 50% dos lucros e os direitos de distribuição em troca de apoio e da participação de Clark Gable, um actor com contracto MGM. Gable, que não queria fazer este filme por ter de chorar em cena, aceitou após receber 50 mil dólares para pagar o divórcio e casar com a amante de longa data, Carole Lombard. O acordo foi feito em Agosto de 1938 e pouco depois começaram as filmagens. Para ver o aspecto final das cenas, George Cukor pediu a William C. Menzies para fazer storyboards com milhares de aguarelas coloridas. Isto permitia antever enquadramentos e cores, usando-as para acentuar as emoções. Para filmar, alugaram sete câmaras Tecnicolor muito pesadas, que requeriam uma iluminação intensa com holofotes quentes. A filmagem decorreu sob o olhar da técnica Natalie Kalmus, da Tecnicolor, que devia garantir a qualidade da cor segundo a técnica especificada rigorosamente pela empresa. Três semanas após o arranque das filmagens, Clark Gable conseguiu que George Cukor fosse mandado embora e trocado por Victor Fleming, que estava a dirigir “O Feiticeiro de Oz” onde já substituíra Cukor. Apanhando as filmagens a meio, o director limitou-se a seguir os storyboards já feitos, o que garantiu uma homogeneidade visual ao filme apesar das confusões, e a imprimir ao filme um ritmo mais dinâmico e grandioso que Selznick aprovava. O filme ganhou escala monumental com batalhões de figurantes, como se vê na cena onde Scarlett caminha entre milhares de feridos: o cenário foi composto com mil figurantes vestidos a rigor e outros tantos manequins, e a cena foi filmada a partir de uma colossal grua de 27 metros de altura, num take contínuo, que começa com um grande plano da actriz e se afasta e eleva suavemente. Não obstante, era um director mais agressivo e isso levou a conflitos com as actrizes e à intromissão persistente de Selznick em todos os detalhes, decidindo ângulos, enquadramentos e diálogos. Para o incêndio de Atlanta, ele quis a coisa real e mandou pôr fogo a dezenas de gigantescos cenários de filmes anteriores! O momento é um dos mais dramáticos do filme e foi o mais perigoso, podendo danificar as câmaras e exigindo a atenção dos bombeiros. Para filmar indoor, usaram cenários elaborados e pinturas mate sobre vidro habilmente postas diante da câmara para se fundirem ao cenário. Atrasadas, as filmagens continuaram a um ritmo brutal de 16 a 20 horas de trabalho, que obrigava a equipa a uma rotina arrasante: havia quem fumasse compulsivamente e até quem tomasse anfetaminas, como o próprio Selznick parece que fez. Ao fim de uns meses, o figurinista foi hospitalizado com um esgotamento e o próprio Fleming acabou por ter um colapso nervoso. Nas suas palavras “se não descansar, atiro-me de um penhasco”. Selznick teve de chamar Sam Wood para continuar a filmar e dar tempo à sua recuperação. Este é um filme revolucionário do ponto de vista da técnica e, principalmente, da escala da produção. Não era usual até aí ver uma produção tão absurdamente complexa, luxuosa e dispendiosa (custou 4 milhões de dólares a fazer numa época em que a maioria dos filmes não chegava a custar um). O filme cresceu desmesuradamente, foi filmado sem um roteiro pronto quase até ao fim, com cenas alteradas no último momento e a intromissão de um produtor autoritário que não deu margem criativa aos directores. O filme estabeleceu um padrão para o cinema épico, popularizou o tecnicolor e deu aulas de enquadramento, cinematografia e design de produção. A banda sonora, composta por Max Steiner, continua a ser uma das mais reconhecíveis e amadas do cinema. No entanto, nunca ficaria completo sem um elenco luxuoso. Clark Gable e Vivien Leigh dominam o filme de modo visceral, com interpretações poderosas e uma química palpável. Ambos tiveram dificuldade em suportar o mau ambiente nos bastidores e o ritmo brutal de trabalho, ambos fumavam demasiado, ele comia cebolas e ela odiava o hálito dele. Butler e Scarlett são um dos casais cinematográficos mais icónicos de sempre, muito humanos nas suas falhas e defeitos, mas carregados de energia e resistência. Olivia de Havilland oferece-nos o contraponto perfeito, numa personagem que exala bondade, empatia, compreensão e altruísmo, e onde esta actriz brilhou como poucas teriam feito. Thomas Mitchell fez um excelente trabalho e Leslie Howard, embora faça uma personagem que não parece saber o que quer, ou quem quer, também não decepcionou. Quem merece um louvor especial é Hattie McDaniel: a personagem pode ser estereotipada, mas a actriz soube humanizá-la e torná-la crível, merecendo o Óscar que ganhou, o primeiro alguma vez dado a uma actriz afro-americana. Falar nesta actriz leva-me a ter de falar num dos dois grandes problemas deste filme: a maneira higienizada e limpa como mostra a escravatura. Na vida real, os escravos usavam roupas de cores vibrantes, lenços de cabeça azuis, amarelos e vermelhos com padrões, mas tudo muito sujo e desgastado pelo trabalho intensivo e pelos maus-tratos a que eram sujeitos. Aqui, vestem roupas cinzentas ou castanhas quase imaculadas, numa opção deliberada para que se diferencie visualmente o escravo do seu senhor. Infelizmente, também contribuiu, sem querer, para reforçar a falsa ideia de uma escravatura invisível, “aceitável” e feliz com o seu estado. A opção tomada justifica-se: o livro tinha sido criticado por movimentos afro-americanos devido às referências raciais pesadas e menções ao Ku Klux Klan, Selznick não queria passar por isso e preferiu mostrar uma escravatura suavizada, sem referências raciais ou cenas chocantes. Além do medo de boicotes, a produção tinha a censura da MPPDA, a entidade reguladora que limitava o que podia ou não ser dito e exibido. Graças às suas cautelas, a maior objecção feita foi ao uso da palavra “damn”, perto do fim, crítica que sectores conservadores também secundaram, juntamente com a apologia do divórcio e a banalização do adultério. Mais recentemente, o filme tem sido alvo de críticas crescentes e de um certo “cancelamento” baseado numa visão Woke da cultura e da literatura, que impõe novas formas de censura e queima livros como o Nazismo. Cada obra literária e cinematográfica tem de ser entendida dentro da mentalidade dominante da sua cultura e da sua época. Avaliar este filme pela mentalidade do século XXI é tão estúpido como censurar John Pemberton por ter inserido cocaína na fórmula da Coca-Cola. Nunca vai haver um autor perfeito, uma obra que agrade a todos. Este é um filme estereotipado, estruturalmente racista (até nos detalhes, como o salário pago ao elenco de cor) e que contribui para o saudosismo de um passado que não existiu ao mostrar o Velho Sul como a terra de cavalheiros e donzelas. Uma mentira! Diferentemente do Norte industrializado, era uma terra de campos de cultivo sem fim, mas assentava numa base social que perpetuava desigualdades baseadas na cor da pele e no direito de um homem ser dono de outro homem. Esse “direito” nada tem de cavalheiresco, nem tampouco de cristão, mas a inconveniência de mudar era tão grande que os cavalheiros do Sul preferiram morrer a aceitar. É um filme que mente, não é perfeito, mas continua a ser um dos melhores filmes já feitos. Foi um horror para produzir, com uma sucessão de directores e argumentistas, conflitos nos bastidores, problemas financeiros, actores sob pressão e uma equipa à beira do colapso mental, mas foi o filme que fez a carreira de todos os que trabalharam nele e que imortalizou a visão, a persistência e a tenacidade do homem ao leme do projecto: David O. Selznick.
TMDB
Filipe Manuel Neto
★ 10.0 / 10
**Para mim, o melhor filme de todos os tempos.** Há filmes cuja qualidade é tal que deveríamos vê-los com um carinho e uma atenção especiais. Este filme, talvez o mais belo e notável da história do cinema, imortalizou os actores que lhe deram vida e já faz parte da memória de várias gerações. Dirigido por Victor Fleming e produzido por David O. Selznick, este filme tem roteiro baseado num romance de Margaret Mitchell. A sua história é tão conhecida que é difícil fazer "spoil": Scarlett é uma menina do Sul, rica, mimada e caprichosa, que gosta de festas e namoricos com vários pretendentes. Em circunstâncias normais, a grande preocupação dela seria fazer um bom casamento e ela há muito que tem um amor mais ou menos secreto por Ashley Wilkes, o dono da plantação ao lado da do seu pai, Tara. Mas ele está comprometido com uma prima, Melanie, o que lhe desperta gigantescos ciúmes. Nisto, explode a Guerra Civil Americana, conflito onde a vida que Scarlett sempre conheceu irá desaparecer para sempre, levada pelo vento da História. Assim, ela acaba por se associar a Rhett Butler, um capitalista de muito má reputação, que passa a vida em bordéis mas depressa se apaixona pela jovem. Um dos triângulos amorosos mais famosos de sempre, conta com Vivien Leigh e Clark Gable nos papéis principais. Este filme é provavelmente um dos mais notáveis ​​da Um filme que . Ganhou oito Óscares, nomeadamente Melhor Filme, Melhor Edição, Melhor Direcção de Arte, Melhor Fotografia a Cores, Melhor Argumento, Melhor Director, Melhor Actriz Principal, Melhor Actriz Secundária (pela primeira vez concedido a uma actriz negra) e duas estatuetas especiais para R.D. Musgrave e William Cameron Menzies, por proezas técnicas. Foi ainda nomeado para mais cinco, num palmarés de prémios que por certo é feliz espelho da enormíssima qualidade de todo o trabalho aqui desenvolvido. Vivien Leigh tornou-se com este filme uma lenda do cinema. Longe de ser a donzela em perigo, a personagem resolve problemas e enfrenta dificuldades com tenacidade e força de vontade. É, sem dúvida, uma das personagens femininas mais fortes do cinema clássico e combina de uma forma perfeita com a dureza e truculência do Capitão Butler, interpretado por Gable, um dos maiores galãs que o cinema já conheceu, famoso pelos muitos romances que foi tendo com as mais belas actrizes em Hollywood. Na verdade, quando este filme estava em filmagens, as vozes mais maliciosas envolveram-se em conjecturas quanto a uma paixão entre Gable e Vivien, mas a verdade era muito mais engraçada: os dois actores detestavam-se ao ponto de Leigh criticar Gable por causa do seu mau hálito e o actor, ao invés de se perfumar, ter o prazer de comer cebolas antes das cenas em que teriam de contracenar. E apesar de Gable ter detestado fazer este filme, tornou-se imortalmente famoso em grande parte devido a ele. Uma outra grande actriz, Olivia de Havilland, brilhou no papel da doce e amável Melanie Wilkes, casada com Ashley, interpretado por Leslie Howard. Tentar analisar os aspectos técnicos deste filme é muito impressionante e mostra a arte que há aqui. Centenas de figurantes, milhares de cavalos e figurinos projectados para recriar a aparência histórica. As cenas no campo são fabulosas e algumas das cenas de guerra são comoventes e tocantes, como as cenas onde Scarlett ajuda no hospital militar ou aquela famosa cena do juramento de Scarlett. Uma das sequências mais famosas é o incêndio de Atlanta, onde foi usado fogo real, tornando as cenas mais realistas e verdadeiramente antológicas. As cores brilhantes tornaram o filme ainda mais bonito, do ponto de vista visual, e a banda sonora, da autoria de Max Steiner, é excepcional. O tema principal fica logo no ouvido, tornando-se uma das canções mais famosas do cinema. Por todas estas razões, este filme ganhou uma enorme popularidade e é, hoje, dos mais lucrativos e populares de todos os tempos. Para mim, é também o melhor filme de todos os tempos, apesar dos muitos outros grandes filmes que se seguiram, ao longo das décadas.
TMDB
Palavras-chave
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