**Tem valor pela maneira humana como conta a sua história.**
Este filme é baseado inteiramente numa passagem da vida do rei David em que ele cai em desgraça diante de Deus por se envolver com uma mulher casada. Qualquer um que conheça minimamente a Bíblia ou tenha ido à catequese já ouviu falar dessa história, por isso o roteiro não traz surpresas. O que é mais agradável aqui é ver a humanidade e a falibilidade de David, um rei ungido, escolhido por Deus, mas que não deixou de ser humano e de cometer erros, pelos quais foi punido.
Gregory Peck é o actor principal e dá-nos uma performance muito humana e dramaticamente intensa. Inicialmente vaidoso ao ponto de ser fanfarrão, David torna-se uma vítima do seu próprio orgulho. Nem ele, um rei, está acima da lei de Deus e é imune à ira divina. Peck foi-se agigantando à medida que o filme progrediu e a sua personagem se despia da sua soberba até ao final, onde aumenta a tensão dramática. Susan Hayward é Betsabé, uma mulher casada, claramente mais vivida e ardilosa do que o jovem rei, que ela provoca deliberadamente. A actriz é muito bonita, tem talento e certamente foi uma boa escolha para o papel. Jayne Meadows (no papel da esposa de David), Raymond Massey (que interpretou o profeta Natã) e Kieron Moore (o jovem e dedicado Urias) também foram boas adições ao elenco, cumprindo os seus papéis com grande mérito.
Tecnicamente, o filme tem apenas pequenas falhas. Os figurinos são bons e magníficos ao olhar, mas eu não gostei daquela estrela judaica ao peito de Peck. Eu sei que esse símbolo só se ligou aos judeus na Idade Média, de modo que tal detalhe tresanda a anacronismo. Os cenários são excelentes e grandiosos, tal como Hollywood nos acostumou quando se trata de épicos bíblicos. A beleza das cores e da fotografia que o Technicolor oferece é algo delicioso para os olhos, talvez até melhor do que muitos recursos digitais que temos agora. A banda sonora é boa, mas não se destaca como em "Dez Mandamentos" ou "Ben Hur".