Assisti a Dagon (2001) sem grandes expectativas, movido pela curiosidade de ter visitado recentemente Combarro, a vila costeira onde foi filmado. Admito que estava à espera de uma produção fraca, talvez um filme trash e amador, mas acabei por me surpreender. Apesar de algumas falhas, principalmente nos efeitos visuais, Dagon revelou-se uma experiência bastante interessante, sobretudo para quem aprecia o terror com um toque Lovecraftiano.
A história segue um grupo de turistas que, após um acidente no seu iate, acabam numa vila chamada Imboca. Desde o início, a atmosfera é sombria e inquietante, com os habitantes da vila a exalarem uma estranheza perturbadora. A narrativa, ainda que não traga grandes inovações, mantém-nos presos pela tensão constante e pela sensação de mistério. A caracterização dos habitantes é particularmente eficaz: são figuras bizarras e assustadoras, que me fizeram lembrar os ganados de Resident Evil 4. É difícil não imaginar que os criadores do jogo se inspiraram nesta obra, dada a semelhança visual e a aura de desconforto que os personagens de Imboca transmitem.
Uma das maiores forças de Dagon é a sua atmosfera. É o tipo de filme que pede para ser visto numa noite de chuva, com a escuridão e o som do vento a intensificarem a experiência. A construção do suspense é impressionante, e algumas cenas conseguem superar em tensão muitos filmes de terror mais recentes. Apesar de não ser inteiramente violento, quando aposta no gore, fá-lo de forma impactante. Uma cena, em particular, ficou gravada na minha memória: quase no final, assistimos a uma personagem a ser esfolada viva, num momento brutal que rivaliza com os momentos mais gráficos de filmes como Terrifier.
No entanto, nem tudo é perfeito. Os efeitos visuais são o maior ponto fraco do filme, resultado do orçamento limitado. Algumas cenas, que poderiam ser verdadeiramente memoráveis, perdem impacto devido a esses defeitos técnicos. É uma pena, porque, com um visual mais polido, Dagon poderia ter alcançado outro nível.
Ainda assim, o filme consegue cativar pela sua atmosfera e pela caracterização dos habitantes. Se houvesse um remake moderno que preservasse o tom sombrio e a essência Lovecraftiana, corrigindo os problemas técnicos, acredito que Dagon se tornaria numa referência ainda maior para os fãs do género. Para já, fica como uma obra curiosa, imperfeita, mas que merece ser descoberta por quem gosta de um bom terror misterioso.