**Esquecível.**
Depois de ter visto *Conan*, decidi ver este filme, que é uma das duas sequelas planeadas para o filme, e das quais apenas esta veria a luz do dia. Não gosto muito deste tipo de filmes, mas são filmes que fazem parte da memória colectiva, conseguiram agremiar uma colecção notável de fãs e ainda passam na televisão. Portanto, os dois filmes estão longe de estar esquecidos e têm sobrevivido relativamente bem ao teste do tempo, ao contrário de uma série de outros trabalhos potencialmente muito melhores. Isto sem esquecer a importância destes trabalhos para a carreira cinematográfica de Arnold Schwarzenegger, como já tive ocasião de destacar na crítica que escrevi para o primeiro filme.
O filme é fortemente baseado no material original, da banda desenhada de acção, que fez algo que, para um historiador como eu, é quase uma provocação: mastigou o passado e criou uma coisa surrealista, misturando elementos de culturas antigas e inventando e redesenhando uma série de adereços, armas, roupas e elementos fantasiosos. E se eu considerei o enredo do filme inicial bastante medíocre na sua escrita e concepção, este filme consegue ser ainda pior. Pelo menos, o filme original tinha o sabor da novidade e boas cenas de acção, coreografadas, mas com impacto visual. Este filme nem sequer tem isso a seu favor: é brando, maçador, cansativo e desinteressante. As personagens não são mais que figuras com rostos, sem personalidade ou capacidade para despertar o nosso interesse. Talvez parte da culpa seja da incapacidade do director, Richard Fleischer.
O elenco é, no mínimo, bizarro, ainda que eu pense que isso de certa forma combina com todo o filme: Schwarzenegger não nos dá nada que já não tenha dado no filme inicial e está longe de ser o grande actor que conhecemos. Na verdade, as suas capacidades como actor ainda são poucas, e a sua actuação baseia-se no seu porte físico e na forma como ele consegue lutar. Wilt Chamberlain também parece um colosso de força e de virilidade, mas o filme não o sabe aproveitar e o esforço do actor é terrível. Tracey Walter é muito mau, Olivia d’Abo é bonita, mas insípida, desinteressante, e só aparece para o público desejar o seu envolvimento com um dos heróis. Grace Jones, apesar de ter tido grande popularidade nesta altura, é simplesmente ela mesma, não é capaz de actuar ou interpretar uma personagem. Sarah Douglas faz o que lhe é possível, mas não consegue salvar o filme.
Tecnicamente, o filme assemelha-se muito ao primeiro, apostando em cenários originais (é de louvar o uso de filmagens em locações geralmente muito bem escolhidas) e figurinos algo fantasiosos, ‘kitsch’ e de gosto duvidoso. A cinematografia é regular, a banda sonora não traz ao filme nada de particularmente notável e a edição parece ter sido bem executada. O que mais me seduziu nos valores de produção, contudo, foi a qualidade geral dos efeitos especiais e de som, que parecem ter sofrido uma evolução quando comparados ao primeiro filme.