**Um filme de aroma marroquino que, sem brilhar, pelo menos faz algo minimamente satisfatório.**
Quando resolvi ver este filme pensei que era marroquino. Não vi muitos filmes marroquinos, se é que vi algum. Porém, quando fui ler sobre ele, descobri que apesar do aroma é, na verdade, um filme muito americano: dirigido e escrito por Aziz Tazi, um marroquino que vive Califórnia, é esmagadoramente falado em inglês e os actores são quase todos norte-americanos.
O filme tem uma história boa, mas que tem alguns problemas. Começa com o encontro entre Frank e Sarah, uma jovem marroquina. Quando romance começa a ganhar solidez, ela decide levá-lo ao país dela, para conhecer a terra e a sua família. Porém, acontece um incidente trágico em que os polícias locais acabam por balear Sarah. Acusado de homicídio, Frank vai cumprir pena nos EUA. Na prisão, vai fazer um percurso de redescoberta moral e espiritual, esperando provar a sua inocência e punir os culpados da sua tragédia pessoal.
O roteiro tem alguns momentos açucarados, mas eu encarei isso bem, e gostei da forma como as coisas se desenrolaram. Tive mais dificuldades com a narrativa não linear e os flashbacks: eu realmente penso que o filme dispensava o uso intensivo deste recurso. Mas onde eu realmente acredito que o roteiro falhou foi na grande quantidade de detalhes ilógicos: por exemplo, toda a casa da mãe de Sarah parece um palácio de gente rica, o pai dela nunca aparece, e nem a sua mãe, nem a própria Sarah, usam o véu islâmico, sendo que os países islâmicos, normalmente, o impõem (ou recomendam vivamente). Também não consigo imaginar em que lugar dos EUA se possa ter uma prisão com uma população muçulmana tão relevante como a deste filme (excepto talvez Guantánamo). Afinal, há muito poucos muçulmanos praticantes nos EUA.
O trabalho dos actores é satisfatório: Sean Stone e Sarah Alami têm uma boa química juntos e funcionam bem como par romântico. Não são brilhantes, mas fazem o que é preciso. O resto do elenco não é tão bom: gostei de Laouni Mouhid e de Ricco Ross, mas ainda não sei bem porque motivo foi criada a personagem de Ivana Nguyen. Ela aparece pouco e quase não tem relevância. Por fim, Mickey Rourke, Patrick Kilpatrick e Eric Roberts têm motivos para esquecer este filme: eu sei que eles deram vida a vilões detestáveis, mas além de serem extremamente superficiais, os três actores foram excessivamente histriónicos e exagerados.
Tecnicamente, o melhor que o filme nos apresenta é a forma como Tazi domina os flashbacks, ainda que exagere muito na sua utilização. Também gostei bastante dos cenários e dos locais de filmagem. Acredito que parte do filme foi filmada em Marrocos, e isso confere ao filme maior autenticidade. Também gostei de ouvir falar outra língua que não a inglesa. Estes detalhes são, para mim, importantes e eu soube valorizá-los. Infelizmente, a cinematografia é muito regular e a edição é relativamente pobre. Também a banda sonora não se consegue nunca destacar ou acrescentar valor ao filme.