**O que é isto??**
Sejamos francos: com a morte de Peter Sellers, a franquia morreu, ou pelo menos assim deveria ter sido. Há certos filmes e personagens que se associam de tal modo aos actores que lhes dão vida que qualquer tentativa de continuidade pós-morte dos mesmos soa quase de maneira insultuosa. E foi isso mesmo que aconteceu aqui.
O filme é tão mau, tão negativo na sua essência, que merece poucas considerações e atenção: a trama é extraordinariamente confusa, e foi pensada para tentar articular da melhor forma as cenas de arquivo utilizadas, onde Sellers surge, numa actuação quase além-túmulo, através das cenas excluídas dos filmes anteriores, e que foram aqui reaproveitadas e misturadas com cenas novas, filmadas de propósito. Herbert Lom e David Niven fazem tudo o que podem, mas penso que até eles não acreditavam no projecto, porque o nível interpretativo está francamente mal.
A nível técnico, é um filme pobre: a cinematografia coxeia bastante, não consegue esconder ou disfarçar os cortes de arquivo, as cores são lavadas e o filme parece mais antigo do que acaba por ser. As piadas geralmente não funcionam, o ritmo do filme é exageradamente lento e estica a trama excessivamente. A música de Mancini é o único elemento técnico que se escapa a ser um desastre total.