**Mais um remake, ou apenas preguiça mental para fazer algo novo e fresco?**
Vi recentemente os dois filmes que, mais notavelmente, precedem este filme: “Os Sete Samurais” e “Os Sete Magníficos”. A mesma história, na sua essência, ambientada em lugares distintos e épocas distintas, e feita por mãos drasticamente diferentes: um filme japonês ambientado num período conturbado do Japão feudal, e a clássica “coboiada” norte-americana que adapta essa história para o palato ocidental, e que se difundiu internacionalmente. O filme americano, que acabo de citar, teve depois uma sequela que, além de redundante e desnecessária, não teve um só ponto de mérito a seu favor. Foi um erro. Este filme, não sendo um erro, só pode ser visto como uma piada pela forma como insiste em repisar a história, a fórmula e o conceito sem que haja um único elemento condutor que o une aos seus predecessores.
Não vou alongar-me em considerações sobre o roteiro do filme: basta dizer que há uma espécie de revolução militar em preparação no México, as populações rurais estão, de certo modo, sob o fogo cruzado dos revoltosos e dos lealistas, e vão pedir a ajuda de sete valorosos vaqueiros do Oeste Norte-Americano para se protegerem dos brutais abusos que sofrem neste contexto. É, na base, a mesma coisa que já vimos uma e outra vez. Havia realmente preguiça para pensar entre os argumentistas de cinema nesta altura?
O elenco deste filme, não obstante, não tem rigorosamente nada a ver com os filmes anteriores supramencionados. Não há uma só cara que tenha participado neles, apesar de, supostamente, a personagem protagonista ser o mesmo Chris que Yul Brynner interpretou, de uma maneira tão competente e profissional. E nem se deram ao trabalho de procurar outro actor parecido, ou de explicar fosse o que fosse ao público. Nada! Afinal, há muitos homens chamados Chris! Pode ser este, ou aquele. O público que está dentro do teatro já pagou o bilhete, se lhes dermos uns bons tiroteios e uma dose valente de acção eles não vão querer saber dos detalhes! Assim deve ter pensado a produção deste filme… que saiu a bela porcaria que aqui temos.
Não quero, contudo, dizer que não existam aqui alguns méritos. Ao contrário do filme que veio antes, temos alguns actores capazes e que tentam, pelo menos, fazer algo decente: consciente da responsabilidade, George Kennedy foi um protagonista decente, e foi bem coadjuvado por Joe Baker, James Whitmore e Bernie Casey, mas basicamente é tudo o que temos. Nem sequer se deram ao trabalho de compor uma nova música, ou novas músicas que puderem combinar com o velho e repisado tema musical de “Sete Magníficos”.