The Mummy (1999) foi um dos filmes que mais marcou a minha infância. Lembro-me perfeitamente de o rever vezes sem conta, quase todos os meses, fascinado por aquela aventura passada no Egito com muito humor, bons momentos de ação e alguns momentos sombrios. Entretanto, passaram-se mais de 16 anos desde a última vez que o tinha visto. Desta vez decidi revisitá-lo e mostrá-lo ao meu irmão, mas confesso que tinha algum receio, pois muitos filmes que adorámos em pequenos acabam por envelhecer mal quando voltamos a revê-los em adultos.
Felizmente, The Mummy continua a ser uma aventura incrivelmente divertida. É verdade que demora um pouco a arrancar, mas desde os primeiros minutos somos logo conquistados pelo carisma das personagens. Brendan Fraser e Rachel Weisz têm uma química fantástica e dão vida a duas personagens extremamente empáticas. Arnold Vosloo também merece destaque como Imhotep, um vilão memorável e ameaçador que encaixa perfeitamente no tom da história.
Quanto à dupla de protagonistas, juntos arrastam-nos para uma jornada que mesmo com mais de 25 anos, continua a arrasar com vários blockbusters mais atuais, pois estamos perante um trabalho feito com alma. Sente-se que foi criado numa época em que estes filmes ainda nasciam de um verdadeiro entusiasmo pela aventura e por conquistar os espectadores, e não apenas pela vontade de criar universos partilhados ou sagas intermináveis.
Contudo, nem tudo envelheceu de forma perfeita. Os efeitos visuais em CGI são claramente o elemento mais datado do filme. Em alguns momentos está mínimamente competente, mas noutros nota-se bastante o peso dos anos. Ainda assim, tendo em conta que é uma produção lançada em 1999, até se pode dizer que eram bastante competentes para a época. Além disso, os efeitos práticos continuam a funcionar muito bem, o que ajuda a manter a sensação de espetáculo.
Outro elemento essencial é a banda sonora que ajuda a elevar ainda mais o espírito de aventura do filme. Há momentos em que a música quase nos transporta diretamente para aquele deserto, dando um tom épico e fazendo-nos querer visitar o Egito.
Para mim, The Mummy continua a ser um excelente exemplo de como um blockbuster deve ser: um filme com coração, com personagens espetaculares e com uma aventura capaz de prender qualquer espectador. Pode não ser perfeito, mas tem algo que muitos filmes atuais perderam: a alma e o propósito de simplesmente desejar entreter o espectador.
Agora resta-nos aguardar se o próximo capítulo deste universo, com previsão de estreia para 2028, será capaz de conservar todos estes elementos.