Tenho de começar por confessar uma coisa: sou muito mais fã da fase recente de Evil Dead do que dos filmes originais. Vi a trilogia clássica quando era adolescente e, sinceramente, nunca consegui gostar de nenhum deles. Achei-os demasiado parvos para o meu gosto. Contudo, foi Evil Dead (2013) que me conquistou por completo e que ainda hoje continua a ser um dos meus filmes de terror favoritos de sempre.
Então, estava bastante ansioso por Evil Dead Burn, principalmente por ser realizado por Sébastien Vaniček, o realizador de Vermines (Infested), um filme que apreciei bastante e que foi uma espécie de [REC] com aranhas. Além disso, li várias opiniões que comparavam Evil Dead Burn ao movimento New French Extremity, conhecido pela violência extrema de filmes como High Tension, Martyrs ou Inside. Na minha opinião, a comparação faz algum sentido pela brutalidade, mas (felizmente para mim) não pelo impacto psicológico. É uma produção extremamente violenta, mas nunca me deixou perturbado. A violência aqui é muito estilizada, sangrenta, exagerada e serve sobretudo para divertir quem gosta deste tipo de espetáculo.
O que mais gostei foi da realização. Sébastien Vaniček confirma mais uma vez que tem um enorme talento visual. Há planos excelentes, uma edição muito dinâmica e um ritmo praticamente imparável. O filme quando arranca, nunca abranda e está constantemente a acontecer alguma coisa, o que faz com que as quase duas horas passem muito depressa.
Também gostei bastante dos Deadites. Continuam a ser alguns dos monstros mais carismáticos do cinema de terror moderno, embora continue a preferir a Mia de Evil Dead (2013), que para mim permanece a melhor Deadite de toda a saga. Já a protagonista deste filme foi muito boa e é uma personagem que torcemos para que consiga sobreviver (só um aparate, existiam vários momentos em que me fez lembrar a Melissa Barrera, mas muito melhor atriz que a Melissa)
Um dos únicos aspetos onde senti que o filme ficou aquém foi na atmosfera. É violento, tem tensão, gore e uma realização muito competente, mas falta-lhe aquele ambiente verdadeiramente sombrio, bizarro e doentio típico de Evil Dead. É difícil explicar, pois está tudo no sítio certo, mas falta-lhe aquele ingrediente capaz de o tornar numa obra numa obra memorável.
Contudo, o que menos apreciei foi o último ato, pois fica bastante aquém do resto do filme, principalmente devido ao vilão criado em CGI, que simplesmente não resulta. O efeito visual é muito fraco, chegando a fazer lembrar um videojogo da PlayStation 2 ou da PlayStation 3. Para mim, é facilmente o pior vilão de toda a saga. Custou-me acreditar que aquele design tenha sido aprovado para a versão final. Resultaria muito melhor uma criatura mais orgânica, como aconteceu em Evil Dead (2013), ou algo mais bizarro, como o desfecho de Evil Dead Rise.
Mesmo assim, saí satisfeito. Evil Dead Burn é uma autêntica montanha-russa de adrenalina. Nunca tenta ser um filme profundamente perturbador e ainda bem, pois prefiro este tipo de terror violento e estilizado do que filmes que vivem apenas para nos deixar traumatizados durante dias. Não entra ao nível de Evil Dead (2013), mas confirma que Sébastien Vaniček é um realizador que vale a pena continuar a acompanhar.