**Não sendo um filme maravilhoso, é sem dúvida uma boa aposta para um serão em família.**
Este é um dos melhores filmes familiares que vi em algum tempo. A história concentra-se nas aventuras de Nim, uma jovem pré-adolescente que vive com o pai, numa ilha fora das rotas e mapas marítimos, que poucos conhecem. O local, ao que parece, é uma espécie de santuário natural que ela e o pai ajudam a conservar, e que o pai estuda na qualidade de biólogo. A menina é fã dos livros de aventuras de Alex Rover, que ela imagina como uma espécie de Indiana Jones, mas que não é mais do que o alter-ego de uma introvertida senhora de meia-idade com medo de sair de casa. Quando ambas começam a comunicar por correio electrónico, ela pede-lhe que venha até à ilha para a ajudar a combater piratas e a escritora, convencida de que uma criança está sozinha e precisa de ajuda, resolve fazer frente aos próprios medos por uma boa causa.
Dirigido por Mark Levin e Jennifer Flackett, o filme é muito bom, na medida em que faz bem tudo aquilo que se propõe fazer, e não abdica da inteligência para fazer algo que seja agradável aos mais jovens. A cinematografia é boa o suficiente para o trabalho em questão e o CGI, não sendo propriamente soberbo, é convincente durante a maior parte do tempo. A concepção de figurinos e cenários também está boa, especialmente se não dermos uma importância excessiva aos detalhes e aceitarmos o filme com a ligeireza com que ele se apresenta: de facto, não sendo um filme para levar a sério, seria inadequado darmos muito valor a pequenas falhas ou detalhes ilógicos. A banda sonora, não sendo notável, faz o seu papel sem grandes dificuldades.
Resta, pois, abordar o desempenho dos actores, e aqui temos algumas notas de qualidade, especialmente pelo bom trabalho de Abigail Breslin, uma das melhores actrizes infantis da sua geração e uma grande promessa do cinema. Ela não tem dificuldades em garantir à sua personagem o carisma necessário a um protagonista marcante. Jodie Foster parece um pouco fora do seu elemento, e aceitar uma personagem tão diferente daquilo a que ela nos acostumou foi certamente um risco calculado, mas a actriz esteve à altura do desafio e deu-nos uma interpretação sólida. Gerard Butler, numa posição mais discreta, recebeu uma personagem que, talvez, merecesse maior desenvolvimento e atenção, mas saiu-se muito bem com o material que lhe foi dado.