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ACERVO · Filme · 1954

A Estrada

La strada

Figura frágil e ingénua num mundo sem amor, Gelsomina é vendida pela mãe a Zampanò, um saltimbanco forte e bruto que a leva para trabalhar com ele na sua vida de estrada, dando-lhe um número burlesco. Quando este encontra um velho rival, o artista que dá pela alcunha de “O Louco”, a fúria do homem musculado é provocada até ao ponto de rutura.

Fonte: TMDB
* 7.9 (1,174)DramaItália
Trilha sonora
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Diretores
Federico Fellini
Paises
Itália
Estudios
Ponti-De Laurentiis Cinematografica
Duração
108 min
Classificação etária
14 anos
Lancamento
23/09/1954
Pontuacao
7.9 / 10 (1,174)
Onde assistir
Streaming
LookeLooke
Com anuncios
NetMoviesNetMovies
Elenco
Giulietta Masina
Giulietta Masina
Gelsomina
Anthony Quinn
Anthony Quinn
Zampanò
Richard Basehart
Richard Basehart
Il 'Matto'
Aldo Silvani
Aldo Silvani
Il Signor Giraffa
Marcella Rovere
Marcella Rovere
La Vedova
?
Livia Venturini
La Suorina
Pietro Ceccarelli
Pietro Ceccarelli
Innkeeper (uncredited)
?
Giovanna Galli
Prostitute at the Inn (uncredited)
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Gustavo Giorgi
(uncredited)
?
Yami Kamadeva
Prostitute (uncredited)
Comentários

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Resenhas de usuarios
Filipe Manuel Neto
★ 9.0 / 10
**Um filme verdadeiramente magnífico, mas que não aguentarei voltar a ver.** Vi este filme agora mesmo e ainda não sei bem o que dizer. Por um lado, é angustiante: é um filme sobre violência, decadência moral e física, e sobre desespero, uma jornada em que vemos uma pessoa doce e verdadeiramente pura ficar totalmente perdida. Por outro, é uma obra-prima inspirada, habilmente dirigida por um dos grandes cineastas italianos do século XX, Federico Fellini, e ele sabe exactamente o que está a fazer. Não é um filme que eu acredite que consiga voltar a ver, sou absolutamente sincero: não é possível ficar indiferente ao que nos é apresentado, só se formos totalmente desprovidos de compaixão e piedade. No entanto, recomendaria o filme e acredito que é imperdível, principalmente para quem tenha interesse no cinema clássico europeu ou, muito mais concretamente, no movimento neo-realista italiano, onde se encaixa estilisticamente. Fellini garante-nos uma direcção profundamente eficaz e que consegue fazer muito com pouca coisa: é uma produção bastante barata, mas onde tudo se encaixa muito bem. Onde é que o dinheiro foi gasto? No material de filmagem e no salário de Anthony Quinn, que inicialmente nem queria fazer o filme e, quando aceitou, foi obrigado pelo próprio agente a fazer um contracto com um salário adiantado em vez de uma comissão sobre os lucros. É que, apesar de já ser um director respeitado, Quinn não conhecia Fellini, estava só a trabalhar com a mulher dele – Giulietta Masina, precisamente! Além destes percalços, o director também teve de vencer o cepticismo dos produtores, a quem cabe libertar verbas: mesmo sendo um filme barato, era tão pesado e denso que ninguém acreditava que podia dar lucro, e ninguém quer financiar filmes e perder dinheiro! Em última análise, venceu a tenacidade deste director, convicto do valor daquilo que tinha na mão. O filme tornou-se num êxito nos festivais de cinema, o director venceu o Leão de Prata no Festival de Veneza de 1954 e os produtores também levaram para suas casas o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, numa das primeiras ocasiões em que foi atribuído. Hoje, podemos dizer que é dos dez melhores filmes italianos de todos os tempos, e um dos mais significativos e culturalmente importantes do século. A trama é simples: em meio à absoluta miséria da Itália do pós-guerra, um andarilho que vive de terra em terra com pequenas apresentações circenses resolve comprar uma mulher à mesma velha famélica a quem já tinha levado a filha mais velha, que morreu. A jovem, Gelsomina, não sabe cozinhar, parece imprestável e é obviamente alguém com problemas (hoje seria avaliada como tendo dificuldades de aprendizagem, autista ou algo parecido). Ele não tem qualquer interesse romântico: quer alguém que faça trabalho pesado e ajude nos espectáculos, e aguente calado qualquer grosseria que saia da boca dele. E ao longo do filme nós vemos a forma desconsoladora como Gelsomina sofre às mãos deste bruto. O filme não nos poupa: com uma cinematografia que raia o documental, apresenta-nos a miséria dos mais pobres, dos pobres de espírito que já nem sonhar se atrevem. Uma cena me tocou particularmente: ver um grupo de pessoas a banquetear-se numa mesa e a atirar pedaços de comida e pão ao chão, para os cães, e ver algumas pessoas miseráveis a correr para os tirar do chão. É doloroso pensar que há pessoas assim, mas o mundo em que nós vivemos é todo assim! Nós, aqui, no conforto das nossas casas, com supermercados com tudo ao nosso dispor, bastando pagar… e em Gaza, e noutros lugares como Gaza, pessoas forçadas a sobreviver no limite entre a humanidade e a bestialidade completa. Não pude evitar as lágrimas, e nem as consigo conter agora, escrevendo estas linhas. Em meio a este breu negro de emoções dramáticas, Fellini nunca nos deixa perder toda a esperança. Gelsomina, como qualquer um de nós, vai encontrando pessoas boas ao longo da estrada dela. Pessoas que a ajudam a manter viva a vontade de algo melhor… e também a religião funciona, neste filme, como um símbolo de esperança. Afinal, a fé acaba sendo, para muitos, a derradeira tábua de salvação a que se prendem desesperadamente para não se afundarem no desespero do mundo em que vivem. Podemos ver isso na forma como a pobre Gelsomina expressa a sua devoção e respeito pelo sagrado, numa manifestação de fé simples, sem conhecimentos teológicos, sem retóricas. Ela simplesmente acredita e põe nisso uma boa parte da sua esperança futura. Masina é, de facto, a grande estrela do filme, e dá-nos o trabalho definidor da sua carreira como actriz. A expressividade é brilhante, e Fellini trabalhou amorosamente a sua mulher. Quinn não fica atrás, é digno do nosso desprezo, o retrato de um homem bruto e néscio, a quem a vida só ofereceu pancada, e que só aprendeu isso. Ele é o produto de um ciclo de brutalidade. Richard Baseheart, outro americano, faz um papel excelente como Louco: é um homem parvo, mas bom, que arrisca por não ter muito o que perder, mas que tem a centelha da bondade e gentileza de uma criança que nunca cresceu. Infelizmente, os dois americanos foram dobrados para um italiano bizarro, e essa é a única crítica séria que este filme merece.
TMDB
Palavras-chave
prisondying and deathrage and hateunsociabilitycircusauthorityin love with enemywavesadnessroad trip
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