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A Dama e o Vagabundo
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ACERVO · Filme · 1955

A Dama e o Vagabundo

Lady and the Tramp

A história de uma cachorrinha de classe chamada Lady que se sente abandonada pelos donos quando eles têm um bebê e acaba se envolvendo com um cachorro de rua conhecido como Vagabundo. Os dois terão que lidar com uma injusta tia que, com seus gatos de estimação, chegam na casa e acabam com o sossego de Lady.

Fonte: TMDB
* 7.1 (5,667)AventuraAnimaçãoComédiaFamíliaEstados Unidos
Trilha sonora
YouTubeGoogle
Diretores
Clyde Geronimi · Wilfred Jackson · Hamilton Luske
Paises
Estados Unidos
Estudios
Walt Disney Productions
Duração
77 min
Classificação etária
Livre
Lancamento
22/06/1955
Pontuacao
7.1 / 10 (5,667)
Onde assistir
Streaming
Disney PlusDisney Plus
Elenco
Barbara Luddy
Barbara Luddy
Lady (voice)
?
Larry Roberts
Tramp (voice)
Peggy Lee
Peggy Lee
Darling / Si / Am / Peg (voice)
Bill Thompson
Bill Thompson
Jock / Bull / Policeman at Zoo / Dachsie / Joe (voice)
Bill Baucom
Bill Baucom
Trusty (voice)
Stan Freberg
Stan Freberg
Beaver (voice)
Verna Felton
Verna Felton
Aunt Sarah (voice)
Alan Reed
Alan Reed
Boris (voice)
George Givot
George Givot
Tony (voice)
Dal McKennon
Dal McKennon
Toughy / Professor / Pedro / Hyena (voice)
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Resenhas de usuarios
Filipe Manuel Neto
★ 8.0 / 10
**QUANDO A DISNEY SAIU DO CASTELO E VEIO VISITAR O BECO ESCURO.** _CRÍTICA QUE ESCREVI APÓS REVER O FILME._ Este filme foi feito com uma história que não nasceu num dia, foi montada aos poucos como um projecto de bricolagem caseiro. A primeira peça surgiu em 1937 quando o animador Joe Grant, dos melhores da Disney, inspirado por um incidente doméstico com a sua cadela springer spaniel, sugeriu que se fizesse um filme ou curta animada sobre um cão que se sente posto de lado após o nascimento de um bebé, e que é injustamente culpado pelas travessuras de dois gatos siameses da sogra do dono. Walt Disney não se comprometeu e ficou com a ideia enquanto desenvolvia outros projectos e resolvia os problemas financeiros do estúdio. Por volta de 1942, a ideia ressurgiu quando leu o conto “Happy Dan, the Whistling Dog”, sobre um cão vadio e a sua vida despreocupada. Sem demora, pegou no telefone e disse a Ward Greene, o autor, que «o seu cão e a minha cadela têm de ficar juntos!». Greene respondeu enviando uma reescrita do conto com o romance entre as duas personagens, cujos direitos foram logo adquiridos, e que deu azo a um livro infantil publicado em 1953, com algumas das imagens feitas por Joe Grant para o storyboard deste filme: com isso Disney tirou-o dos créditos do filme, coisa que Grant nunca perdoou. Em 1943, foi feito um brainstorming entre Disney, Grant e outros artistas e animadores. Na reunião, os cães tiveram diversos nomes e peripécias imaginadas e descartadas, mas uma coisa sempre se manteve: a história ia ser contada da perspectiva deles. No final, havia título e as personagens tinham nomes. Infelizmente, cortes de verba fizeram parar os trabalhos até 1952, quando o projecto foi retomado com orçamento de 2,5 milhões de dólares, que Roy Disney pediu para o irmão gerir com parcimónia. O storyboard final foi feito por Erdman Penner e Joe Rinaldi, aproveitando muitas das ideias já assentes. No entanto, foram eles que sugeriram a ideia de mostrar as pernas dos donos e não lhes dar outros nomes além dos apelidos carinhosos que usam entre si, e que os cães escutam. O filme mostraria como eles vêm o mundo, numa exploração dos contrastes entre um animal amorosamente criado numa casa abastada e outro, sem donos nem raça definida, criado nas ruas da cidade. Eles observaram cães verdadeiros para ter ideias, como a ideia da ratazana no final do filme. Disney até adoptou um desses cães, que salvou de ser abatido no canil e deu a base visual para o Vagabundo. A última peça chegou pela voz de Peggy Lee: ela convenceu-os a tornar a cena do canil num momento de blues, maduro, profundo e triste, e a dar aos gatos alguma malícia. A Disney empregou os melhores técnicos e criativos neste projecto, exigindo-lhes realismo total: o público ia ver cães iguais aos que tinham, mas capazes de mostrar emoções de forma reconhecível. Assim, o processo de animação decorreu sob a direcção de Hamilton Luske, Wilfred Jackson, Clyde Geronimi, e a supervisão de Les Clark, Milt Kahl, Ollie Johnston, Eric Larson, John Lounsbery, Wolfgang Reitherman e Frank Thomas. Ao último se deve a cena do esparguete, que Disney chegou a cortar, mas ele recriou com maior romantismo e humor, com as personagens a “dizerem” tudo por expressões que nós reconhecemos. Foi uma decisão sábia: tornou-se uma das mais antológicas cenas românticas do cinema, copiada por diversos casais e até parodiada! Eric Larson animou a cadela Peg, inspirando-se nos maneirismos de Peggy Lee, que lhe deu a voz; também animou Dama, a quem deu refinamento, insegurança e romantismo. Kahl ficou com o Vagabundo, dando-lhe um charme de rebelde, como James Dean ou Marlon Brando. A escolha das cores foi igualmente criteriosa: tons quentes para o lar acolhedor de Dama, tons frios e mais sombras para evocar os perigos da vida nas ruas e a tristeza do canil (comparado a uma prisão humana) e tons vibrantes e oníricos na cena dos gatos siameses. A grande inovação deste filme foi a introdução do Cinemascope, um “ecrã panorâmico” que apareceu como resposta à concorrência feroz da televisão, que só adoptou igual formato na década de 90. O rectângulo era já usado nos filmes da 20th Century Fox e dava mais espaço aos animadores de fundo, que tinham um “cenário” maior a fazer e podiam inserir mais detalhes: tapetes, pernas de cadeiras, latas de lixo, etc. Com o trabalho, os animadores fizeram um esforço suplementar de realismo histórico. Este não é o primeiro filme-longa animado da Disney, mas é um dos primeiros onde conseguimos situar visualmente a trama no espaço e no tempo (numa cidade da costa Leste dos EUA por volta de 1905). O formato também permitia mais personagens num mesmo fotograma e menos cortes entre personagens, com cenas mais longas e fluídas. Os desenhos foram feitos ao nível do chão, sem mostrar muito dos telhados e tectos, enfatizando a perspectiva do cão. Para isso, chegaram a construir modelos em papelão das salas e casas, deitando-se no chão diante deles para verem o que o cão vê! Por isso, vemos ocasionalmente os rostos e tronco dos seres humanos, e às vezes as suas sombras. O trabalho do som também não foi ignorado: ouvimos com muita nitidez os passos dos humanos, o roçar das saias e as vozes humanas parecem vir de longe, enfatizando a pequenez do cão junto do seu dono; no canil, a prisão canina, ouvimos uivos e gemidos lamentosos, o bater das grades, é um ambiente sonoro de melancolia e triste resignação que contrasta com o caloroso tilintar da coleira de Dama, que nos recorda (e a ela mesma) o seu “estatuto social” quase aristocrático no mundo canino. É o equivalente a uma mulher usar um colar de diamantes, e a perda desse colar canino mostra-nos o quanto ela se distanciou do seu mundo confortável. Para dar voz às personagens o estúdio chamou profissionais, mas é Peggy Lee quem se destaca pela positiva: além de uma qualidade vocal impressionante, tanto a cantar quanto a falar, esta famosa cantora de jazz deu a voz a várias personagens e dedicou-se à escrita e interpretação das canções, quase todas escritas por ela e musicadas por Sonny Burke. Se a canção “Bella Notte”, na voz de George Givot, dá a tónica ao momento mais ternurento do filme, Lee garantiu o contraponto tonal com “He’s a Tramp”, que se tornou um clássico do jazz, e com um momento musical brilhante onde dois gatos cantam uma melodia oriental maliciosa e bamboleante: para isso, ela teve de cantar duas vezes a música, em duas gravações e dois tons de voz, dando a ilusão de que são duas personagens a cantar em coro. Mais tarde, ela ganharia uma fortuna com o seu trabalho, posto que o contracto não previa o VHS/DVD, e ela pôde reivindicar o pagamento de direitos autorais adicionais. Quando o filme saiu foi retalhado pela crítica: “os animais são humanos demais”, “o filme é esticado, não era preciso algo tão largo!”. Os «wearing blinders» de serviço caíram a matar, e o futuro provou que eles estavam genericamente errados. O futuro diria que o formato panorâmico, em Cinemascope ou noutro parecido, era o futuro a chegar, e que a maneira como os animais expressam emoções sem deixarem de ser animais funciona na perfeição. De resto, a apreciação do público foi o primeiro sinal do erro deles! O filme, com todos os atrasos e despesas adicionais, como a necessidade de conversão para formato académico devido a poucos cinemas terem já as máquinas para o Cinemascope, foi um êxito de bilheteira para a época e ainda continua a render, como sabemos, graças ao formato físico, ao merchandising e aos elementos do filme em parques temáticos! Este é o filme onde a Disney, o estúdio dos reis e cavaleiros de armadura, sai um pouco da beleza doirada dos palácios e castelos das princesas casadoiras para vir ao mundo real, às casas suburbanas e ao universo rebelde das prisões e becos da América, vindo ao encontro do homem comum para ouvir o choro do blues e as queixas da malta da prisão. É um filme elegante, charmoso, mas que trata de assuntos sérios e emoções concretas, e é um dos poucos clássicos da Disney que aborda o amor com mais realismo, sem idealizações parvas, pondo as personagens perante dilemas credíveis, como a desigualdade social e o estigma de ser visto como um marginal! Claro, o filme não é perfeito. Um dos problemas mais evidentes é o modo como Dama se deixa seduzir com a ingenuidade de uma adolescente. É difícil imaginar que a personagem, ainda que isolada do mundo, dentro da sua bolha de conforto, pudesse ser tão fácil de levar na conversa. Outro problema é o ritmo algo estranho do último terço, com o filme a correr para atar pontas soltas e dar resolução à trama. Isso não combina com o ritmo cadenciado de tudo o que vimos antes, onde a trama levou o seu tempo a introduzir personagens e criar os conflitos e interacções que fomos acompanhando. No entanto, a maioria das pessoas, e refiro-me ao público dos nossos dias, parece mais incomodada com a cena dos gatos siameses! Tudo bem, está cheia de estereótipos culturais relativos à cultura e etnia asiáticas, e eu reconheço que isso seria inaceitável num filme recente. No entanto, a cena funciona bem e é engraçada, e essas referências, vale a pena lembrar, eram aceitáveis à luz da maneira de pensar das pessoas da década de 50. Este filme até pode ser atemporal, mas continua a ser fruto do tempo em que foi feito, e não devíamos valorizar isto de maneira excessiva, muito menos “cancelar” o filme ou obrigar as futuras versões a removerem a cena em causa. Isso é a pior coisa que pode ser feita: além de ser um branqueamento do passado, que afasta do nosso olhar o que desagrada e finge que está tudo bem, é um desrespeito à obra e aos criadores.
TMDB
Filipe Manuel Neto
★ 8.0 / 10
**O amor na sua forma mais inocente.** Esta é a história de amor improvável entre um Cocker Spaniel de uma casa rica e um cachorro rafeiro que mora na rua. Dirigido por Clyde Geronimi, Wilfred Jackson e Hamilton Luske, tem um roteiro baseado num breve conto de Ward Greene. Este é um filme da época dourada da Disney, um clássico que atraiu gerações de crianças e adultos. Como muitas histórias antes e depois, o filme mostra, de uma forma divertida e leve, como o amor transcende as barreiras sociais. Para as crianças isso funciona bem mas o filme torna-se muito previsível para os adultos que costumam acompanhá-las. Este não é um defeito grave: o filme é para crianças e até mesmo os adultos se divertirão com as cenas mais divertidas e a comédia situacional que percorre a tela. As cenas românticas são profundamente comoventes, mostrando o amor no seu rosto mais bonito e inocente. O trabalho de voz é bom e tem muitos artistas experientes. Os desenhos são bons, feitos sem artifícios ou informatização, à moda antiga. As músicas também são boas mas o destaque é certamente a canção "Bella Notte", uma das mais românticas já usadas nos filmes animados até ao momento. Embora não seja um dos meus favoritos, este filme vai deliciar as crianças e dar bons momentos e lembranças aos adultos, com algumas lágrimas de nostalgia pelo meio.
TMDB
Palavras-chave
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