**Sem qualquer relação com *Uma Casa Alucinante*, tem um roteiro terrivelmente mal escrito e confuso, além de uma péssima edição e montagem, entre outros problemas.**
Qualquer comparação entre este filme e *Uma Casa Alucinante* é quase mera coincidência. Apesar de ambos os filmes partilharem o nome e este ter sido lançado como se fosse uma continuação ou sequela, a verdade é que não partilham mais qualquer tipo de ligação, possuindo histórias distintas, casas distintas e personagens próprias. É mais um caso em que a publicidade feita ao filme é enganosa e mais falsa do que uma nota de mil euros. Porém, se esquecermos esta questão e tentarmos dar ao filme uma hipótese, ele irá revelar uma comédia de aventura algo morna e quase familiar, com alguns toques de terror tão leves que não assustam ninguém e uma história mais confusa e ilógica do que se alguém a tivesse escrito sob influência de drogas pesadas. Um filme que vale a pena? Depende da perspectiva… para mim, justificou-se uma vez, mas não tornaria a vê-lo.
O maior problema deste filme, para mim, foi a confusão completa do roteiro: além de não ter qualquer credibilidade, faz uma colagem aleatória de elementos soltos, sem qualquer sentido e lógica aparente. Tudo começa com a chegada de Jesse a uma nova e impressionante mansão, que recebe por herança e que pertence à sua família desde que foi construída pelo seu trisavô, um aventureiro que viajou pela América Central e foi bandido no Velho Oeste. Após um tempo, ele decide abrir a sepultura do trisavô, que afinal estava pacificamente a dormir no caixão, muito vivo e à espera de que alguém o fosse abrir. Tem lógica, certo? Tudo se deve a uma caveira de cristal com jóias, que ele roubou de um templo asteca ou maia, e é dotada de enormes poderes e muito cobiçada por quem quer fazer o mal. Que poderes? Além de dar vida eterna, ou quase eterna, os poderes do objecto nunca são realmente clarificados. O certo é que vão aparecer, a partir daí, todo o tipo de criaturas e seres naquela casa, decididos a roubá-la. Que confusão!
O elenco é composto por actores de segunda linha, como não poderia deixar de ser. Porém, eles pelo menos tentaram dar o seu melhor e esforçaram-se neste seu trabalho, o que acaba sendo um elemento redentor num filme sem salvação possível. Arye Gross é um protagonista decente e trabalha a sua personagem com algum realismo. Ele tenta realmente ser levado a sério e isso funciona a favor dele. Também Royal Dano fez um trabalho interessante, muito embora numa personagem cómica, a que o roteiro reserva muitas piadas e momentos sentimentais… o actor não teve receio e atirou-se ao trabalho, com bons resultados. Dean Cleverdon fez um trabalho mediano, mas em contraste, achei Jonathan Stark e Amy Yasbeck profundamente irritantes. O restante elenco, onde pontificam nomes como Devin DeVasquez, John Ratzenberger e Lar Park-Lincoln, simplesmente desaparece de cena, com alguns a verdadeiramente sumirem do filme sem qualquer explicação.
A nível técnico, o filme é um misto de elementos razoáveis e maus. Por um lado, temos uma boa cinematografia, com um trabalho de filmagem decente, boas cores e um visual agradável, a que a excelente construção dos cenários (a extraordinária casa, entenda-se) dá ainda mais valor. As criaturas do filme funcionaram razoavelmente, e os efeitos especiais e visuais são bons, parecem até mais reais e mais credíveis do que em *Uma Casa Alucinante*… a maquilhagem, todavia, não é tão boa, em particular no que diz respeito às mãos de Royal Dano e ao rosto de Cleverdon. Os efeitos sonoros também não me parecem particularmente bem executados. No entanto, ainda pior do que tudo isto, a edição e a montagem são péssimas, a um nível amador, e os cortes são tão evidentes que não os consegui ignorar.