Over-the-top kung fu action, exatamente do jeito que eu gosto!
Apesar do título excêntrico (que varia em traduções como Da Mo Mi Zong, Killer Fist, Wu Tang Mystagogue ou até 18 Shaolin Disciples), Shaolin Kung-Fu Mystagogue é um clássico chopsocky taiwanês direto ao ponto: uma trama histórica simplória sobre os opressores Ching caçando os últimos leais Ming, incluindo o Príncipe sobrevivente disfarçado. Os vilões capturam o príncipe sem saber quem ele é, jogam-no na prisão, e cabe a dois heróis valentes — Shao (Carter Wong) e sua companheira Fang (Hsu Feng) — resgatar o cara com ajuda do Templo Shaolin antes que a identidade dele seja descoberta.
É o veículo perfeito para Carter Wong, com sua cara impassível de sempre, socando, chutando e chicoteando hordas de inimigos sem piscar. Ele é acompanhado por uma lutadora feroz (Hsu Feng, sempre ótima) e um monge pacífico que traz um toque de sabedoria Shaolin. O destaque absoluto, porém, fica com Chang Yi como o assassino principal do vilão: um cara que parece ter saído direto de um Lone Wolf & Cub japonês. Com cabelo listrado de branco (tipo "badger hair"), chapéu de palha largo, capa estilosa e um ar ameaçador, ele rouba a cena. Suas armas — as "Bloody Birds" (pássaros sangrentos), lâminas giratórias estilo bumerangue que cortam troncos de árvore e voltam como bumerangues magnéticos — são insanas e culminam em um clímax épico e hilário.
Até chegar lá, o filme é padrão: muita acrobacia, wirework exagerado, saltos impossíveis e lutas cheias de slow-motion. O que eleva tudo é a clara influência de Joseph Kuo nos momentos de armadilhas — o grupo entra em um templo subterrâneo cheio de perigos clássicos: paredes que se fecham, tetos com espinhos, chamas repentinas e truques mortais. É quase um "dungeon crawl" kung fu de baixo orçamento, mas muito divertido. Os figurinos são decentes para o nível, há um pouquinho de gore leve (sem exageros), e o Phillip Ko aparece em papel pequeno para os fãs notarem.
Não é o filme mais polido ou coerente do gênero (a trama às vezes confunde), mas entrega exatamente o que promete: ação over-the-top, armas criativas, vilão memorável e um final sobrecarregado de pulos em câmera lenta que é pura comédia de ouro. Um B-tier sólido e viciante para quem curte kung fu old school sem firulas.
Recomendo para fãs de Carter Wong (18 Bronzemen, Born Invincible) ou filmes com armadilhas exageradas. Clássico escondido que vale a pena!