Sou grande fã do The Black Phone original, e confesso que estava entusiasmado com esta continuação. O primeiro filme tinha uma identidade muito própria: era tenso, claustrofóbico e tinha aquele equilíbrio perfeito entre os elementos sobrenaturais e psicológicos. Por isso, estava curioso para ver que rumo iriam dar à história e ao vilão, o icónico Grabber.
Black Phone 2 passa-se alguns anos após os eventos do primeiro e traz de volta as personagens originais, agora a tentar lidar com as cicatrizes deixadas pelo passado. A grande diferença é que o Grabber regressa, mas desta vez, através dos pesadelos da irmã do protagonista, Gwen, numa ideia claramente inspirada em A Nightmare on Elm Street. Isto é algo que até resulta bem no início, mas rapidamente revela as suas limitações. O conceito dos pesadelos até é interessante, só que o assassino ataca apenas Gwen, a irmã do protagonista, o que reduz muito o impacto geral e a sensação de perigo perante outras personagens. E perto do final, o vilão começa a manifestar-se também no plano físico, quase como se fosse uma entidade invisível e sem grandes explicações sobre como o conseguiu fazer de um momento para o outro.
As ideias até são boas, mas a execução deixa um pouco a desejar. A partir do momento em que a história leva os protagonistas até a um acampamento religioso em busca de segredos do passado, o filme começa a “enrolar”. Não chega a ser aborrecido, mas também parece nunca avançar de forma real. Fica preso a repetições e diálogos que pouco acrescentam à tensão ou ao mistério.
E por falar em tensão… foi o que mais senti falta. O primeiro filme tinha uma atmosfera sufocante e claustrofóbica, onde temíamos pela vida do jovem Finn. Aqui, há alguns bons momentos de susto, mas nada que se aproxime da intensidade do original. Falta-lhe aquele desconforto que fazia sentirmo-nos dentro do cativeiro do Finn.
Ainda assim, há méritos. A Madeleine McGraw brilha novamente, entregando uma performance emocional e absolutamente genuína. E adorei a cinematografia das sequências de pesadelo, que foram filmadas com câmaras analógicas, o que cria uma textura visual diferente do habitual digital, original e até mesmo perturbadora.
No fim de contas, Black Phone 2 não é um desastre, mas também não justifica a sua existência. É um filme competente, com bons momentos e visuais interessantes, mas que perde o foco e a alma que tornaram o original especial. Entretém, mas deixa a sensação de que esta chamada nunca devia ter sido atendida.